2008-04-22

Tempestade...


Não há céu como o do meu Pico. Faz-me regressar às origens. Só me apaixonei por um céu assim, nos tempos da minha infância, quando o olhava em Setembro em Paraduça (terra natal do meu Pai)...
Olho-o da minha janela, o Sol deita-se nas nuvens em perfeito êxtase... o vento sopra forte agitando todas as emoções escondidas... Rendo-me à beleza eterna que o tempo ou o homem não conseguem tocar... O céu do meu Pico é intocável, só pode ser sentido... Pena, tenho daqueles que não o olham com a alma e não se deixam voar entre os cinzentos iluminados de amarelo vida...
Talvez a tempestade nos invada e o coração se delicie perante a imponência da mãe natureza...
Eu... Quem sou eu? divago nas nuvens que me entram pela janela e me tocam de mansinho num beijo terno fantasiado de sensações...
Olho-o, entrego-me, deixo-o invadir-me todo o meu ser... Sou sua, só sua... voando em devaneios sem fim... O que resta para além de mim?... Nada... vagueio por entre nuvens que anunciam tempestade e pelo sol que adormece no mar...
Estou aqui a olhar-te... perco-me estonteantamente apaixonada por ti... não sei o principio ou o fim... divago em ti... enrolada em nuvens de cetim... em tempestade de emoções... Bendidas emoções que vagueiam no vento...

2008-04-14

Pais e Filhos à Volta do Livro

São João










Piedade













Ribeiras









Não é meu hábito usar este espaço para este tipo de escritos, perdoem-me os linguistas se falhei no tipo de texto.



São 7h15 m da manhã, confesso-me estoirada, mas feliz...


A Comissão de Protecção das Crianças e Jovens das Lajes do Pico, através do Grupo de Trabalho constituído por Ana Jorge, Fátima Santos, Graça Ávila e eu, organizou um Encontro dividido em três Sessões com o tema: "Pais e Filhos à Volta do Livro", tendo como convidado Filipe Lopes - O Contador de Histórias. As sessões decorreram na Piedade, dia 11 de Abril, pelas 21 horas, participaram 17 adultos e 17 crianças; Nas Ribeiras, dia 12 de Abril, pelas 15 horas, participaram 10 adultos e 20 crianças; Em São João, dia 13 de Abril, pelas 15 horas, participaram 20 adultos e 23 crianças. O objectivo foi unir Pais e Filhos à volta de um livro, esquecendo por momentos as lides caseiras, os computadores, a televisão, os telemóveis e afins. Filipe Lopes demonstrou ao longo das três sessões um enorme dinamismo, mobilizando Pais e Filhos e fazendo-os interagir uns com os outros.

De ressalvar o humanismo, simpatia e empatia do nosso convidado, valores que se vão perdendo ao longo dos tempos.

Ao Filipe o nosso Muito Obrigado e a esperança de em breve voltarmos a fazer estas parcerias.


Um agradecimento especial à Vanda Lopes pela sua dedicação a este Projecto.


A todos os que participaram o nosso Obrigado e até breve...





























2008-04-11

Perfeição...


Resta o silêncio... Não há palavras para descrever tamanha beleza... São os olhos da alma que te admiram... que se perdem na tua magia...
Fica o silêncio... e tu majestosamente imponente, perante a nossa pequenez...
(Foto tirada hoje às 8h58m)

2008-04-07

Infinitivamente só....

Olho-te para além do que a visão alcança... procuro-te no sussurrar do mar, para além de mim e de ti...
Busco no infinito horizonte o Pico verdejante onde me encontro... está longe... muito longe! As gaivotas levam no seu voar as saudades que tenho de ti, dos teus verdes maravilhosos e do azul que é só teu, nada se compara às cores que tu me ofereces logo pela manhã... entregues em beijos de espuma branca e carícias de nuvens de cetim...
Perco o olhar... buscando-te por entre o vazio do nada ou do tudo...
Olho-te para além do olhar... buscando-te a alma como som de guitarra que se perdeu no tempo...
Infinitivamente só, deleito-me nos teus sentidos... dispo-me de conceitos e de razões e vagueio solitariamente neste mar teu...
Procuro-te para além do horizonte... para além de tudo o que me rodeia... Procuro-te solitária em busca de um sentido para caminhar... da mão que quero que estendas até mim, mas que desapareceu nas rajadas de vento norte...
Infinitivamente só... sei que te imaginei, não existes... nada existe, excepto esta dor que fere como punhal que ousaste cravar em mim...
Desejaria caminhar nesse mar imenso e perder-me nele sem destino... até encontrar nas margens do Pico o meu eterno porto de abrigo...
Infinitivamente só... tão só... preenchida de ti...



(Foto: José Luís Ferreira)

2008-03-18

Silêncios...

Silenciosamente olho-te… esse vermelho entardecer abraçado a nuvens cinzentas, quase negras… encanta-me!

Lá fora só o som das cagarras entoando cantigas de Amor...

O mar desmaia de prazer nas negras pedras... Cinzas, vermelhos, azuis misturam-se em plena harmonia, formando apenas um...

Os amantes entregam-se ao prazer... fundem-se no silêncio mágico da razão de sentir...

Silêncios... poemas pensados e nunca escritos... palavras que nunca se disseram... só silêncio!

Ébriamente bebo o prazer de te contemplar... deito-me nas tuas nuvens de cetim... sabem a algodão doce... já sabes que sim...

Silenciosamente entrego-me ao prazer de te admirar... sei que és intocável. Não importa... Posso amar-te no silêncio dos tons que me ofereces todas as noites...

Lá fora uma serenata de cagarras embala o início da noite... olho-te ... silenciosamente...

Enfeitiçada por ti... fica apenas o silêncio...

2008-03-09

Enfim... 47

Ao contrário da maioria das pessoas que conheço quando cheguei aos 4o anos, senti-me realmente bem... estava mais madura... mais sensível... mais atenta aos problemas dos outros, em suma mais humanizada, como se o percurso com vários tropeções da vida me tivesse ensinado a ser mais "sábia".


Reconheço que o final dos 45 e os 46 anos não foram muito positivos, tiveram muitos percalços, no entanto acredito que se tivesse passado o mesmo aos 20 ou 30, não teria sabido agir com a mesma harmonia que me fez ultrapassar essa fase menos boa.


Chegaram os 47... fechei imensas portas e abri de novo as janelas que valem a pena para arejar os meus dias. Deixei entrar o Sol e o vento norte varreu por completo algumas teias de aranha que teimavam em minar o que sou...


Estou em inquietante conjugação harmónica com a vida... Assim poderei voltar a voar livre nas asas das cagarras que já animam as noites do meu Pico...

Sei que algumas pessoas ao lerem este texto vão tirar ilações daquilo que não está escrito, não importa, o que me importa realmente é aquilo que os meus amigos conseguem ler no que escrevo...


Obrigado a todos que de alguma forma estiveram comigo neste dia.


















2008-03-06

Tonalidades ...

Perco-me a olhar-te, sinto-te pulsante a emergir da terra, sugando docemente a seiva que te alimenta... A chuva deixa-te encharcada, o vento norte agita-te furiosamente... Continuas ali mesmo assim... para deleite da minha vista preenchida pela tua beleza... saboreio-te, embriago-me com o teu cheiro... entrego-me ao puro prazer de te tocar suavemente, quase a medo... medo de não ser digna de ousar sequer pensar tocar-te... tamanha fonte de beleza, suavidade e efemeridade tu transmites...

Perco-me hoje a olhar-te, amanhã sei que quando te olhar já terás as tuas pétalas abertas ao Sol que te aquece... virei olhar-te todos os dias... sucessivamente as tuas pétalas irão caindo... até ao dia que cairão todas e tu voltarás à terra que te fez nascer...




(Estou cansada de dizer que as fotos são minhas, assim quando tal não acontecer, publicarei a respectiva autoria)

2008-03-03

Em vermelho fogo...

Ontem recebi uma lição de vida de um miúdo de 16 anos. Deu-me a ler um texto que tinha escrito que falava sobre a sociedade actual, essencialmente sobre sentimentos. Descreveu de uma forma pertinente as relações. O sexo confundido com o Amor. O aproveitamento das emoções e da sensibilidade de algumas pessoas por outras que mentem e mascaram sentimentos com belas palavras apenas para obterem o que querem, depois deitam-nas fora como algo descartável e sem qualquer significado. Seguem sempre em frente não sentindo qualquer mágoa por terem ferido outro ser. Como é verdade esta realidade.
Falava também do sinónimo de felicidade no mundo actual que passa por ter um bom emprego, uma boa casa, um excelente carro. Quando a felicidade afinal se atinge não pelos bens materiais mas por pequenas coisas simples para as quais não se dá atenção, nem valor.
O texto estava de tal forma bem escrito, que me perguntei :”Que raio ando eu aqui a fazer, quando um miúdo de 16 anos escreve muito melhor que eu?”
Estamos um pouco habituados a achar que miúdos desta idade são imaturos, confesso que já lidei com muitos homens, que o são muito mais.
Perante este belo pôr do sol detive-me no texto que tinha lido e deitei-me com a alma cheia de beleza... pena que não tenha autorização para publicar aqui uma mensagem tão importante... ficam as palavras doces de quem aprendeu a viver a vida respeitando os outros e dando valor ao que realmente o tem...
(Foto - minha)

2008-02-20

Emotivamente, eu...


Voei toda a noite em pensamentos, emoções, sensações e desejos... dormi pouco, nos braços dos anjos.
Estou cansada, farta diria até, de andar constantemente inquieta, de ter as emoções à flor da pele... de procurar constantemente o meu porto de abrigo, de nunca saber se vou ou estou.
Estou sempre presente dizem os amigos, pois estou! Será esse o mal? O não conseguir desligar, ou o desligar-me de mim para estar sempre presente nos outros? Não sei, aliás não sei nada.
Cada vez que julgo que estou segura, a salvo de todas as inquietações, algo me vem inquietar e pedir a minha atenção. Sempre foi assim, talvez seja sempre assim...
Sei que não sou nada lógica, que vivo sempre em tornados de emoções e sensações, que quanto mais amo uma pessoa, mais sensível me sinto perante tudo o que a rodeia, que quase adivinho aquilo que as palavras não dizem. Cada vez me convenço mais que os melhores sentimentos são partilhados no silêncio dos afectos...
Todos os grandes momentos de vida que vivi foram gerados em sensações e emoções... A primeira vez que senti os meus filhos mexerem-se dentro de mim, quando ao nascerem os deitaram em cima de mim, quando os beijei entre lágrimas, quando os abraço antes da noite acabar, quando os olho quando o dia começa e o beijo tarda... Quando apaixonadamente me apaixono pelo pôr-do-sol, pelo nascer do dia, pela eterna Montanha, pela chuva que me escorre no rosto, pelo Sol que me beija ao amanhecer... Quando divago sem porto de partida ou chegada...
Não deve ser nada fácil conviver com alguém como eu, uma fulana, que está sempre em constante e permanente inquietação, que repudia as convenções, os moralismos, os preconceitos e que vive ao sabor das vagas de mar...
Procuro mesmo um porto de abrigo? Quero mesmo aquietar a minha alma? Sei lá... Deixem-me voar nas asas das gaivotas, em sopros de vento norte...



(Foto - minha)

2008-02-15

Olhar-te...

A madrugada acordou-nos com um sorriso.... Olhámo-nos intensamente e no silêncio do dia que acabava de nascer, deixei-te ler-me a alma profundamente inquieta, que só tu sabes entender...
Desnudei-me por completo sobre o teu olhar que não se desviava do meu... então entendi que seremos sempre apenas um... para sempre...
Adormeci de novo, feliz, nos teus braços...







(Foto minha)

2008-02-07

Sentidos...


Acordei gelada, são 6h45m da manhã.
Venho à varanda e deparo-me com a minha Montanha vestida de branco... aquece-me de imediato a alma e o corpo perante tamanha beleza... fiquei ali parada no silêncio da madrugada a olhá-la...
Deixo as lágrimas escorrer... e completamente só, fico ali sentada a contemplar a beleza que não se esgota, o encantamento que não finda, a paixão que não se extingue....
Lá fora só eu e os passáros disfrutamos desta magia... impera a ausência das falsas palavras... dos sentimentos fingidos...das promessas quebradas... de felicidades por inventar...
Invento um sorriso... volto para a cama abraçada em branco neve, que me aquece e me faz sonhar...

2008-02-04

Montanha...

Detenho-me a olhar o Pico, abraçado em nuvens brancas de algodão doce... o seu imenso verde quase que desaparece no azul cinza que se quer impôr...
Deixo a minha alma inquieta vaguear no meio de tanta cor e luz, por momentos, estou em paz. Nada me faz sentir tão livre e tranquila como a montanha que me obriga a amá-la, como se tudo o resto deixasse de existir.
Não basta olhá-la, é imperioso sentir a magia que ela emana e nas asas das gaivotas voar livremente até ela...pertencer-lhe como se fizesse parte intrínseca de nós...ou nós dela...
Perco-me sempre, ou se calhar, encontro-me sempre, quando ela decide mostrar-se, como uma virgem recatada que se guarda só para quem ela quer...
Desejara ser nuvem, sol, chuva, vento, gaivota ou cagarra para poder adormecer tranquilamente nos seus braços...


Foto: minha

2008-02-01

Carnaval 2008...












Como diz o velho ditado: "A vida são dois dias e o Carnaval são três". Verdade ou mentira o certo é que as ruas das Lajes do Pico se encheram de cor, música e alegria. Mais uma vez a Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico organizou um cortejo onde participaram alunos e professores.

Com um grande número de assistentes, apesar do frio e da chuva que ameaçava cair, a Vila ganhou "vida" uniu-se e participou animadamente neste acontecimento.

Será tempo de se tirarem máscaras e, de fantasiar a Vida com cor, música e alegria durante 366 dias.

Bom Carnaval e nada de excessos...





Fotos: minhas (e como não podia deixar de ser dei destaque aos meus dois amores e amigos)

2008-01-23

Preocupações e/ou indiferenças



Andam as revistas côr de rosa e, não só, preocupados com os casos mediáticos da Carla Bruni e do Sarkozy ou do Hugo Chavez com a Naomi Campbell. Se namoram, se vão casar, se já casaram. Ao tomar o pequeno almoço no café, embora tente desligar, ouço que o fulano a anda com a fulana b e a fulana b com o fulano c e assim sucessivamente, dariámos de certeza a volta ao alfabeto e voltávamos ao ponto zero.

Nada destes assuntos me preocupam, ou tiram o sono. O que me deixa preocupada, impotente, triste e até me tira o sono são os dados que constam do Dossier do Desenvolvimento e do Ambiente (ONU), que passo a citar:

"Poderíamos salvar a vida de 5 milhões de crianças que morrem de diarreia todos os anos. Custo: 700 milhões de euros, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armas, apenas em 6 horas;
Poderíamos equipar 80 000 aldeias com bombas para tirar água. Custo: 12 milhões de euros, ou seja, a quantia que se gasta num só teste nuclear;
Poderíamos salvar as florestas tropicais. Custo: 1,4 bilhões de euros por ano por um período de 5 anos, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armas no período de 12 horas;
Poderíamos impedir a desertificação. Custo: 5,6 biliões de euros, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armamento em apenas 2 dias".
Outra fonte Oficial diz:
" - Existem no mundo cerca de 639 milhões de armas de pequeno porte, uma para cada 10 pessoas;
- São produzidas todos os anos mais de 2 balas por cada ser humano;
- 500 000 pessoas são mortas por armas convencionais todos os anos: 1 pessoa por minuto;
- Calcula-se que há 300 000 crianças-soldados envolvidas em conflito;
- 1/3 dos países do mundo gasta mais na defesa e equipamento militar do que nos serviços de saúde e de segurança social;"
Como alguém dizia: "Só se pode filosofar de barriga cheia", se calhar, eu só atenta a isto porque a minha não está vazia. No entanto algo tenho como certo, não me preocupo com a vida do Sarkozy, do Hugo Chavez ou com os casos dos fulanos a e b desta terra...
Fotos: (retiradas da Net)


2008-01-21

Em sonhos do meu Pico...

Ao acordar deparei-me com o azul céu e o Pico, a minha montanha, a impor-se a quem nela detinha o olhar.

Como sempre parei extasiada a olhá-la. Os seus contornos, que relembram o seio de uma mulher, acordavam o horizonte e abraçavam o céu em beijos de ternura tímida.

Todos os meus sonhos voltaram a ser azuis, como o azul céu e mar a acarinhar o verde da montanha que nos deslumbra.

Perdi-me para lá do reboliço da hora matinal, esqueci o ruído das conversas e dos carros que teimam em acelerar, centrei-me na Montanha e voltei a apaixonar-me por esta magia com cheiro a mar que a abraça de mansinho e o céu que lhe sussurra palavras de amor.

Voei nas asas de uma gaivota e entreguei-me ao sabor da magia e cor. Nada mais importa, tudo volta a ser azuis e verdes que se entrelaçam em corpos nus, despidos de preconceitos prendendo-se na beleza de sentir, de dar, de amar, de sonhar...

Como é belo o meu Pico, como descansa a minha vista nesta Montanha que me desperta todas as emoções. Neste enamoramento sou livre e entrego-me plenamente nas asas do sonho...

Estou na ponta do meu Pico e aí, sem telemóvel ligado, deixo-me voar numa nuvem de branco cetim...


(Foto: minha)

2008-01-18

Em compasso de espera...

Estou triste, dessas tristezas que se abatem sobre nós quando nos apercebemos que o sonho afinal não era azul, mas sim cinzento escuro de uma noite sem luar.




Olho o mar revolto que se agita em vagas altas atirando-me para as negras pedras ou para mar alto onde não se vislumbra a terra.




O céu está coberto de cinza a prometer uma chuva que já sinto cá dentro, se calhar, só se calhar, são as lágrimas que escorrem no meu rosto e que não deixo ninguém enxugar.




Não me importo de demonstrar a minha tristeza, sinto-a, está presente até no sorriso que teimo em oferecer. Vá lá, ainda consigo esboçar um triste sorriso, apesar das lágrimas continuarem a percorrer o meu rosto e morrerem lentamente nos meus lábios. Sabem a sal, tal como o mar, que me acalenta o desejo eterno de nele me perder...




Os sonhos deveriam ser eternamente azuis, mas não, alguns ganham vida, outras cores e voam nas asas das gaivotas à procura de outras pedras, outros lugares. Outros tornam-se cinzentos, acabam por morrer e levar com eles um pouco de nós...




Os sonhos, só por serem sonhos, nunca deveriam morrer, deviam esvoaçar livres na brisa do vento norte e espalhar por onde passassem sementes de amores, paixões eternas, cânticos divinos, abraços silenciosos e beijos perdidos no desejo e no tempo...




Os sonhos deveriam ser azuis... mas, como nada é linear na vida, este meu sonho, de que hoje acordei, é apenas e só cinza escuro.















(Foto: José Luís Ferreira)











2008-01-17

As minhas melhores amigas

A minha mãe A minha Princesa












A minha irmã





Hoje comemora-se o "Dia das Amigas", não podia deixar passar o dia sem fazer referência aquelas que são, sem qualquer sombra de dúvida, as minhas melhores AMIGAS. Elas não necessitam de um dia em especial, são-no ao longo de todos os dias, em todos os minutos e segundos do meu caminho. Para estas três Mulheres deixo o meu eterno carinho. A palavra Amor é pouco para eu descrever o que sinto por elas, por isso fica o silêncio do nosso sorriso...

2008-01-07

Sombras...



De volta ao Pico e a este espaço que não consegui acabar porque faz parte de mim como se fosse um filho que concebi e dei à luz.

Aqui estou de novo sem certezas de nada e com dúvidas de tudo. Continuo na incerteza constante se estou, ou não, mesmo aqui.
O meu pensamento voa nas asas das nuvens e parte em divagações que ultrapassam a razão ou o senso comum. Não há hipótese, por mais que deseje ser realista, sou mesmo uma sonhadora, vivo de sonhos, que às vezes, se tornam autênticos pesadelos. Há em mim um permanente desassossego, uma inquietação constante que nunca se acalma. Por muito que caía continuo eternamente apaixonada, pela vida, pelas pessoas, por aquilo que faço ou imagino fazer, não consigo viver de uma outra forma, apesar de todas as desilusões com que me vou cruzando nos meus dias. Pergunto-me se não será melhor repensar os meus passos, atracar o barco da minha vida num porto seguro onde o mau tempo não o atinja e aquietar-me no meio termo de uma vida vivida assim, sem grandes ondas de mar.
Comecei 2008 em pura reflexão, fechei várias portas que estavam abertas em 2007, consegui perceber que o ser humano é realmente o pior dos bichos à face da terra, usam e abusam dos crédulos, daqueles que acreditam nas pessoas, daqueles que se dão por inteiro, por isso a partir de agora estarei aqui de mente e coração aberto apenas para aqueles que navegam no mesmo mar que eu... Feliz 2008 para os que frequentam este espaço.


(Foto: José Luís Ferreira)

2007-12-11

Reflexão

Este céu do meu Pico não deixa de me encantar e ajuda-me a reflectir, pois é amigos, entrei em período de pura reflexão. Este, será provavelmente, o meu último texto de 2007.

Todos os anos por esta altura fecho-me na minha concha e medito nos passos que dei, no que vivi e traço um rumo para o ano seguinte. Verdade seja dita que me afasto quase sempre do rumo que tracei...

Estou a pensar seriamente em terminar com o "Devaneios", este blog nasceu a 25 de Março de 2006, foi uma forma de publicar os meus estados de alma, a que chamo de minhas tonterias, de expor sentimentos e emoções. Com ele, ou à volta dele, entreguei-me por completo ao prazer de escrever, sem me preocupar, se isso iria ter ou não, algum interesse para alguém, o que importava é que o que eu sentia. Deixei-vos aqui imensos pedaços de mim espalhados ao acaso.
Penso ter chegado a hora de o deixar hibernar num sono eterno...
A todos aqueles que me têm acompanhado, desejo-vos um Feliz Natal onde o Amor vença o consumismo doentio e que o Ano de 2008 seja um excelente Ano para todos vocês.

2007-12-01

Irmão e Amigo Paulo

Raras são as vez que publico um texto sem imagens (desculpem-me sou uma amante da imagem, mas esqueci-me da máquina). O Padre Paulo Areias celebrou hoje uma festa, reunindo à sua volta vários amigos das variadas Paróquias onde exerce e exerceu o Sacerdócio.
No bar "Culto do Tempo" celebrámos a amizade, a dávida, a partilha. Num espaço encantador com o Faial como pano de fundo e uma imensidão de mar, vivemos uma tarde fantástica. Mais uma vez o Padre Paulo Areias mostrou-se, tal como é, um sobrevivente e um lutador (terás sempre o nosso apoio).
Não posso deixar passar este dia em "branco", todos juntos à volta de um pastor que conhece as suas ovelhas, celebrámos a vida, oferecemos vida, partilhámos vida, devemos ao Padre Padre Paulo Areias o significado daquilo que partilhámos, pois foi ele, que ao longo do tempo nos incutiu o espírito que hoje comungamos.
Felicidades e Parabéns Senhor Padre, destes amigos, que longe ou perto, não o esquecem.
Já agora se tiver fotos, por favor, mande-me.

2007-11-25

Noite luz..

O Sol deita-se de mansinho no mar. A lua vem beijá-lo devagarinho e aconchegá-o em lençois de espuma branca.
Tudo pára, o tempo deixa de existir, somos só nós a olhar o chegar da noite, não de trevas, mas de luz...
Olhamos o mesmo pôr-do-sol, a mesma lua que o beija e deixamo-nos viajar em pensamentos de amor, alguns só pensados, outros tantos vividos. Ali somos só nós e a natureza infinita que nos rodeia. Ali sou sereia em asas de vento norte e tu, bem tu, és o encantador de sereias que navega solitário...
Não necessito de dizer que te amo, porque amo-te tão simplesmente como o Sol adormece ou a lua nos embala. Não quero palavras, quero-te no silêncio, no suave murmurar das ondas a desfalecer de prazer nas pedras negras, na lua cheia que nos ilumina...
Quero-te hoje e sempre, quero viver os nossos sonhos a dois, o entrelaçar das mãos que nunca se gasta, o beijo/desejo murmurado baixinho... Quero-te sempre, nas asas das gaivotas, nos gritos oprimidos no peito, na razão sem razão para dar ou estar...
Quero-te, sem te querer meu, não te quero preso a mim, não te quero com obrigações ou falsos moralismos, quero-te livre assim, em asas de gaivotas, em mares desconhecidos, tempestades violentas, mar azul em acalmia de Verão... Quero-te tanto que chega a doer, dói a dor de não te ter perto de mim mesmo quando invades os meus pensamentos e só tu existes...
Olho o Sol a adormecer no mar e a lua a beijá-lo de mansinho.
Tu e eu deitamo-nos em noites de luz...

2007-11-16

Sonhei-te...

Ontem sonhei-te.

Estávamos de mãos entrelaçadas a olhar o mar, sem palavras, só as nossas mãos falavam em gritos de gaivotas que esvoaçavam. Não nos olhávamos, o nosso olhar perdia-se no infinito azul e a nossa alma vagueava nas pedras negras salpicadas de espuma branca.

Ontem sonhei-te. As nossas mãos diziam todas as palavras que saíam das nossas almas. Estávamos ali, perdidos no tempo e no espaço e amávamo-nos totalmente sem sequer nos tocarmos. Era pura sintonia.


Ontem sonhei-te, sabes a mar e a chocolate. És vento norte em que tudo esvoaça, até os meus beijos.


Ontem sonhei-te, olhávamos o mar e as nossas mãos entrelaçadas tocavam a mais bela melodia, era como se os nossos corpos se entregassem por completo fazendo um só corpo, uma só música que entoavam por nós.


Ontem sonhei-te. Hoje ao acordar as nossas mãos não estavam unidas e o nosso sonho voava nas asas das gaivotas e, cada um de nós, buscava um outro sonho...

2007-11-12

Vulcão adormecido...

"...vamos rebentar o vulcão adormecido da fé dos católicos do Pico..." esta frase é do meu melhor Amigo, que por acaso, ou não, até é Padre. Não vou fazer aqui uma Catequese. O meu blogue é de sentimentos, sensações, desejos descobertos, de vida e de Amor. E a fé? Será que não é por ter fé que consigo partilhar convosco aquilo que sinto e penso? Será que se não tivesse fé não me esconderia numa concha com medo do que a sociedade poderia dizer? Pensem vocês, eu estou aqui, sempre despida de preconceitos aceitando aquilo que vocês conseguem ler no que escrevo (infelizmente alguns só lêem o que querem e não aquilo que eu quero dizer, paciência...).
Não vos vou falar de Fé, embora eu ache que se não temos Fé, não temos nada (entendo por Fé, acreditar no ser humano, dar, apoiar, estar disponível para...).
Falemos dos verbos que quase não existem no nosso actual vocabulário: O verbo Dar e o verbo Amar, onde andarão estes verbos? Depois de pesquisar descobri que foram substituídos pelos verbos: Ter e Comprar, porquê? já explico...
Temos de ter uma boa casa, um bom carro, um bom computador (se possível melhores que os do vizinho), temos de viajar, temos que nos mostrar, temos que ter roupas de marca, temos de parecer aquilo que outros querem... temos de...
Compramos tudo no supermercado, até compramos emoções , amigos, amores e tempo (ou pensamos comprar). Compramos aos filhos o computador de topo de gama, a playstation, o melhor telemóvel, porque não inventámos tempo para conversar com eles, para entender os seus sonhos, para aceitar as suas dúvidas e opiniões, para dar carinho, esgotámos o nosso Amor e o acto de lhes dar algo nosso. Não sabemos dar tempo para Amar, para escutar, para dar a mão, para estar em silêncio lado-a-lado partilhando emoções e sentimentos, para dizer simplesmente: "Estou aqui".
Com fé ou sem fé é urgente reaprender os verbos Amar e Dar e esquecer na ânsia do tempo, o Ter e o Comprar, senão não vislumbro o caminho para aqueles a que ousámos dar a vida. Acredito, ou tenho Fé, que os Homens vão entender as diferenças e voltar a conjugar os verbos importantes.

2007-11-07

Verdes caminhos...

Voltei anos atrás! Desci estas escadas de pedra muitas vezes. Hoje, os limos tomam conta delas, já não se podem descer (outras de cimento, deram lugar a quem quer descer até ao mar). Ao olhá-las repensei uma série de coisas, na minha memória bailaram imensos pensamentos, vi e revi a minha vida e cheguei à conclusão que breve foi o momento entre o passado e o presente, demasiadamente breve, como um "piscar de olhos".
Hoje sei que não tenho respostas, só perguntas. Não tenho certezas, mas muitas dúvidas. Tenho alegrias e tristezas misturadas como cânticos antigos. Tenho lágrimas e sorrisos tal como o mar passa de calmo a tempestuoso. Continuo sem saber para onde vou, ou onde estou. Revejo-me nos limos verdes que tomaram conta das pedras, como tantas coisas tomaram conta dos meus dias, algumas tão pequeninas que não valeram o esforço que fiz para as viver, outras grandes, enormes diria, que me fizeram viver dias em segundos de breve instante. Não sei viver no cinzento! Não gosto do cinzento! Amo intensamente, vivo tudo intensamente, não sei navegar neste mar da vida de uma outra forma. Tenho de estar apaixonada pela vida, pelas pessoas, pelo trabalho, pelos livros que deixo na mesa de cabeceira em lista de espera.
Já não tenho idade de mudar. Por isso que importa as respostas que não sei, as dúvidas que nunca serão certezas, as alegrias e as tristezas, os sorrisos e as lágrimas que andam todos à mistura num furacão de sentidos, o nunca saber qual é o caminho, a mania de não perceber a partida e a chegada, que importa? Vivo num dilúvio de emoções e são elas que dão côr à minha vida.



(Azenhas do Mar - foto de José Luís Ferreira)

2007-10-31

Em cantos de...

Poisam suavemente nas pedras, descansando do cansaço de longos voos, contam-lhes histórias de outros lugares. Olham o mar a quem chamam de Amigo e depois batem as asas em busca de alimento ou de outras margens. Perco-me a olhá-las, trazem no bico saudades das palavras e nas asas os anseios do meu sonho por alcançar e de tantos outros que realizei.
São livres, como livres deveriamos poder ser, sim nós os humanos, a quem foi dada a capacidade de pensar, de construir, de amar. Mas não! procuramos a mesquinhez, o matar, o dizer mal, o sorriso à desgraça dos outros. Isso não é ser livre é antes estar preso em grilhetas de uma sociedade que não consegue olhar o belo e perde-se no vazio dos sentimentos.
Elas, esvoaçam em bebedeiras de azul e espuma branca alcançando o paraíso que nós nem ousamos imaginar porque fechámos o coração e perdemos algures no espaço e no tempo a capacidade de nos darmos uns aos outros.
Sei que as gaivotas da Ericeira são iguais às gaivotas do meu Pico, sei que as cagarras(os) são iguais em qualquer sítio onde estejam e, infelizmente sei, que nós humanos somos iguais onde quer que estejámos.
Voo com as gaivotas e as cagarras, estou para além de mim e do todo e, quando volto ao meu lar, estou de novo aqui à procura das fantasias e sonhos que alguém me ensinou a Amar...


(Ericeira - foto de José Luís Ferreira)

2007-10-29

Para além de...

Ninguém sabe até onde nos levam os pensamentos, às vezes até nem nós próprios. Surgem ao acaso como o mar que se agita, a neblina que nos cerca, ou o luar que nos envolve. Perdi-me em mil pensamentos, busquei o Pico para além do horizonte e deixei-me enredar em sonhos de côr. Senti o cheiro a mar, esse mar que é presença constante na minha vida, senti o Pico, a minha montanha, como se ali estivessem prontos para ser tocados em sons de poesia ou acordes de mar revolto.
O que é estar longe? O que é estar perto? Não sei! Não procuro certezas ou realidades evidentes, vivo sempre num eterno trapézio. Procuro o quê afinal? Talvez procure o Amor em cada pedra, em cada onda, em cada luar, em cada ser que comigo se cruza, não sei, se calhar nem me interessa saber. Deleito-me à deriva em cheiros de mar, em luares de vida, em palavras ditas pelo olhar e outras tantas por dizer.
Encostada neste banco procurei o sentido ou o sem sentido dos meus dias.
Deixei-me voar! Para lá do horizonte tudo acontece...


(Ericeira 7 de Outubro - foto: José Luís Ferreira)

2007-09-30

Era uma vez...

Os contos da minha infância começavam sempre com: "Era uma vez..." e terminavam: "... e foram felizes para sempre!", vivi neste mundo de fantasia em que os maus eram castigados e os bons recompensados.
Hoje, olho o mundo e vejo-o de pernas para o ar. Os bons muitas vezes são penalizados e os maus vivem eternamente felizes. O que me deixa mais chocada é que passei a ideia do mundo maravilhoso aos meus filhos. Será que eles estão preparados para viver num mundo para o qual eu não os alertei? Será que vão aprender a defender-se das leis actuais de uma sociedade cada vez mais materialista? Não sei. Gostava de continuar no eterno sonho que tudo tem um final feliz.
Olho em volta e vejo cada vez mais miséria, mais pessoas sem abrigo, trabalho ou dignidade humana. Onde andarão os finais felizes das minhas histórias de criança?
Onde andarão os valores que me ensinaram a praticar? Onde andará o darmo-nos em vez de dar-mos? O que fazemos realmente em relação àquela pessoa que passa por nós? Será que sorrimos? Será que estendemos a mão? Ou será que viramos a cara e fingimos que ninguém por nós passou?
Os contos da minha infância já não são o que eram, nós já não nos pautamos pela dávida ao próximo, estamos indiferentes e preocupados com o "nosso umbigo", transformamo-nos em seres que vivem apenas para si e esquecem o seu semelhante. É triste, a sociedade em que vivemos transfomou-nos em gente fria e cega à dôr dos outros.
Vamos a tempo de mudar?Claro que vamos! Olhemos quem passa como se só o fizesse uma vez na nossa vida, estendamos a mão a quem dela necessita e, o sorriso? Sim o sorriso esse aquece corações e afugenta as mágoas.
"Era uma vez... e viveram felizes para sempre"

2007-09-19

Zeca Garro


Mais um livro para figurar nos livros da minha vida. Foi lançado dia 17, no Museu dos Baleeiros. Não tenho palavras para descrever o que senti ao ler este livro por isso deixo-vos com as palavras do Dr. António Felix Rodrigues (apresentador do livro) : "A história do Zeca é uma história infantil de homens e de cagarros que se encontram sem se aperceberem o quanto são parecidos, mas onde os seus corações lhes dizem que vale a pena respeitarem-se.

A história do Zeca é um conto para adultos que saibam ler nas entrelinhas".
Um livro que recomendo a crianças, adolescentes e adultos .
Já agora lanço um apelo, vem aí o Outono, os cagarros juvenis ficam para trás porque ainda não voam o suficiente para fazer a viagem, por isso atenção nas estradas, conduzam devagar. Se encontrarem um cagarro protejam-no, contactem os Serviços do Ambiente ou levem-no para casa e libertem-no na manhã seguinte junto ao mar. Eles regressarão novamente e de certeza que vos agradecerão.

Ajudem a salvar os cagarros...


2007-09-11

Alguns dos livros da minha vida...

Aceitando o desafio lançado pelo José Augusto Soares, aqui vai a lista de 10 dos livros da minha vida (muitos mais existem, mas vou-me cingir ao pedido):
- Poemas Completos de Alberto Caeiro;
- Sonetos de Florbela Espanca;
- Os Maias de Eça de Queiroz;
- África Minha de Karen Blixen;
- Amor em tempo de Coléra de Gabriel Garcia Marquez;
- Contos de Eva Luna de Isabel Allende;
- Vinte Poemas de Amor e uma Canção Deseperada de Pablo Neruda;
- Perfume de Patrick Suskind;
- O Carteiro de Pablo Neruda de António Skarmeta;
- Conversas com Deus de Neale Donald Walsch (pelas questões polémicas que levanta);

Cabe-me agora a mim escolher mais 5 nomes, como visito poucos blogs, terei de cingir-me à minha lista de bloguistas, aqui vai:
Fernanda Serpa - Ilhas do Mar;
Sandra Amaral - São Mateus 2005;
Xana - Os da Montanha;
Paulo - Cristão do Asfalto
e claro
José Augusto Soares - Castelete sempre.

2007-08-21

Aos Homens que choram...

Cresci numa sociedade extremamente machista, em que os homens para o serem, não podiam demonstrar emoções. Cresci ao lado de vários, que não se importando com esses padrões, sempre mostraram o que lhes ia na alma. Vi muitos chorarem, vi muitos comoverem-se, vi muitos deixarem fluir livremente o Amor que sentiam pelas pessoas.

Nunca pensei, no entanto, que chegando ao século XXI ainda existam "pesudo-machos" que usam a prepotência, a arrogância e a ideia que são os donos da companheira com quem vivem e se escondem numa carapaça de ferro onde as emoções são relegadas para o caixote de lixo. Confesso que não aprecio este "tipo de homem", que não viveria com alguém que não deixa brotar os sentimentos sem se importar com o que a sociedade pensa. Admiro os homens que são capazes de sentir, de dar-se, de emocionar-se, de chorar quando algo os toca. São estes que respeito.

A sociedade actual, mais aberta e consciente aceita as pessoas como o são, não diferencia o homem da mulher, ou seja, não padroniza. Claro que o homem será sempre diferente da mulher e a mulher do homem, é na diferença que se complementam, mas não no que respeita a sentimentos, aí todos somos iguais, ou sentimos ou não.

Aos homens que ousam mostrar emoções deixo o meu abraço.

2007-08-13

Partida...



Confesso que apesar de ser cristã lido mal com a morte, não com a minha porque sei que estou de passagem e a porta está sempre entreaberta, muito embora me preocupe se estarei ou não presente nos acontecimentos importantes da vida dos meus filhos. O que me magoa é ver aqueles com quem convivo diariamente e os que amo partirem, fico sempre sufocada e até as palavras me doem, geralmente nessas ocasiões o silêncio apodera-se de mim e, se fosse avestruz, acho que escondia a cabeça num buraco.



A verdade é que não lido bem com partidas, prefiro sempre as chegadas. A chegada é sinónimo de alegria, de festa e mesmo que os nossos olhos derramem lágrimas são sempre um conforto para a alma. A partida é quase sempre um momento de tristeza em que a alma fica dorida e as lágrimas não atenuam a dor, são apenas sinal de sofrimento.


Não acredito que nesta altura da minha vida aprenda a lidar com isto, estou demasiado velha para mudar emoções que fazem parte de mim intrinsecamente.


Sei que vou encontrar em Deus um pouco de paz, mas por enquanto estou triste, apenas e só isto, triste...



2007-08-08

Lágrimas...


Amor Meu, só te queria abraçar e limpar as tuas lágrimas com os meus beijos, não existem palavras para dizer-te o quanto te amo e como percebo o que estás a sentir. Julguei sempre que teria as palavras certas, nas horas certas para te consolar, mas não. Por isso deixa-me abraçar-te e fazer com que os teus olhos brilhem de novo de alegria.




Sabes um Amigo verdadeiro não nos obriga a escolhas, aceita-nos como nós somos. Na amizade verdadeira a única exigência que há é a de sermos amigos e isso implica apoiarmo-nos nas tristezas e rirmos nas alegrias, ficarmos felizes pelos sonhos que os amigos realizaram, pelas metas que atingiram, pelos amores que lhes fizeram bem e, se acabarem mal, o nosso ombro estará lá para os consolar.




Cada vez mais me convenço que a amizade se mede pelas alegrias que conseguimos partilhar, por desejarmos que o nosso Amigo seja feliz e, mesmo que as lágrimas aflorem aos nossos olhos, termos a capacidade de sorrir para eles e por eles.




Um Amigo verdadeiro não pode querer ser o único na nossa vida, não pode exigir que só sejamos dele ou que abdiquemos daquilo que amamos para estar com ele, se assim for, a sua amizade não é verdadeira. Ninguém é de ninguém e, temos que dar espaço aos que amamos para que eles possam seguir o seu caminho e crescer saudavelmente livres, só assim podemos ser amigos.




Pensa no que escrevi para ti e espero que estas palavras ajudem a curar as tuas lágrimas.




Amo-te como és, sem exigências.

2007-08-06

Infinitivamente Castelete...

Hoje ao mergulhar nas águas límpidas que te banham, deixei-me-voar. Voei livre em asas de sonhos e fantasias, de piratas ou sereias que ousamos inventar. As ondas arrastavam-me e eu deixava-me arrastar ao sabor da maré e do vento. Voei livre como se fosse uma gaivota ou uma cagarra em gritos de azul e vento. Lembrei-me de ti, não estavas lá para me ensinar a mergulhar ou desfrutar as ondas. Onde andas meu pássaro azul? Longe de mim e dos carinhos que desfrutamos naquele mar imenso. Onde andas meu cavaleiro andante? Não estavas lá e, com a maré cheia de gente, eu sentia-me só. Faltavas tu, só tu preenches os meus dias e as minhas noites, quando de mansinho, olhamos as estrelas e o luar.
Vem meu pássaro azul, vem meu cavaleiro andante, vamos mergulhar no infinito azul e de mansinho esperar que a lua nos banhe em desejos e segredos de amor...
Amanhã volto à rotina, o castelete permanece em mim, tu estás em mim. E, eu? Eu vou voar na asas das gaivotas ou das cagarras...até ti.

2007-08-04

Almoço de Bloguistas no Pico



Aceitando o desafio lançado pelo autor do casteletesempre, reunimo-nos no 1º andar do Restaurante Lagoa para um almoço convívio. Estiveram presentes os bloguistas assumidos casteletesempre, saomateus2005, ardemares, ilhasdomar, bordado demurmurios, devaneios e um comentador (felizmente não anónimo) Artur Xavier, bem como o Sr. Luís Monte.
Foi um excelente momento à volta da mesa com boa comida e vinho do nosso Pico, regado com ideias e vontade de fazer mais almoços destes. Para o ano contamos que mais bloguistas se unam a nós, que façam da blogosfera uma forma saudável de comunicar, partilhar ideias, debater assuntos sem receios e assumindo aquilo que pensamos. Será que é tão difícil dar a cara? É tão difícil assumir aquilo que pensamos? Penso que não, vivemos numa sociedade livre e um cidadão livre tem direito a expressar o que pensa e tem o dever de assumir aquilo que é.
Conto voltar a reunir-me com este grupo e venham mais, estamos abertos a todos aqueles que querem estar juntos neste mundo que é cada vez mais global. Obrigado casteletesempre. Obrigado a todos os que estiveram presentes.

2007-07-24

Pico, corpo de mulher...

Hoje ao olhar o Pico, veio-me à memória Pessoa e como sei que ele sabe melhor do que eu brincar com as palavras, aqui vai:


Dorme sobre o meu seio.
Sonhando de sonhar...

No teu olhar eu leio

Um lúbrico vagar.

Dorme no sonho de existir

E na ilusão de amar.


Tudo é nada, e tudo

Um sonho finge ser.

O 'spaço negro é mudo.

Dorme, e, ao adormecer,

Saibas do coração sorrir

Sorrisos de esquecer

Dorme sobre o meu seio,

Sem mágoa, nem amor...

No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.

(Cancioneiro - Dorme sobre o
meu Seio - Fernando Pessoa)


Depois disto olhem o Pico e deleitem o vosso olhar na magia do nada ou tudo... Eu cá por mim vou continuar a voar... E nas asas da viagem vou até Lisboa ao encontro de Pessoa...

2007-07-16

Nuvens de cetim...

As minhas nuvens são de cetim e sabem a algodão doce! Dirão alguns "são nuvens apenas", mas não, para mim são de cetim certamente, a lembrar a ternura dos abraços, a carícia dos beijos, a harmonia das palavras, a melodia das canções de embalar. Olhando-as divago livremente como as gaivotas que se enroscam nelas em voos de fantasia.

Sem dúvida alguma, as nuvens do céu do meu Pico, mesmo que cinzentas, são de cetim e sabem a algodão doce e nelas deixo embalar a minha alma inquieta e revejo-me em voos de ébrio azul em que as nossas mãos se tocam procurando alcançar o infinito do ser, do estar, do construír e amar.

Ontem entrelaçamo-nos em sabores de algodão doce e voámos em nuvens de cetim.

São de cetim as minhas nuvens, as nuvens que olhamos a dois em busca do tudo que preencha o vazio do nada.

2007-07-10

À Equipa de São Pedro...
















Uma mensagem que já tardava.


Depois de dois anos na equipa do Carlos Fernando, a quem envio o meu abraço, tive a honra de ser convidada para integrar a nova equipa da Associação da Irmandade de São Pedro. Uma equipa totalmente feminina que decidiu desde a primeira reunião dar uma nova dinâmica à festa do Município. Decidimos passar uma nova mensagem valorizando o São Pedro como Santo Popular e fazendo a festa em torno dele e não do Divino Espírito Santo.


O Divino Espírito Santo, que respeitamos, tem as suas festas próprias. A nossa tónica foi a de dignificar o São Pedro, transformar a festa em sua honra e louvor e desmarcá-lo da carga que lhe tinham imposto. Quebrámos algumas amarras e devolvemos a São Pedro o lugar que merece. Começámos no dia 28 com a verbena onde, para além de comidas e bebidas, tivemos vários grupos que, gratuitamente, se prontificaram a animar a nossa noite. Àqueles que gratuitamente nos ofereceram alimentos para confeccionar ou nos ajudaram a confeccioná-los, o nosso Obrigado.Garanto que ela só terminou às 2h da madrugada porque São Pedro, se calhar, achou que nós precisávamos de dormir umas escassas horas.


O dia 29 começou cedo, com a preparação do almoço para os irmãos. Mais uma vez um agradecimento àqueles que com a sua disponibilidade e saber estiveram na "linha da frente" para que o almoço e o habitual arroz doce fizessem as delícias de quem connosco partilhou este momento; sem estas pessoas nada seria possível.


Na hora da Procissão a chuva caiu e houve quem pensasse que a festa estava estragada. Mais uma vez São Pedro impôs a sua vontade e a Procissão realizou-se e a festa continuou com as Filarmónicas Liberdade Lajense e Lira Madalense (Sete Cidades) .


No dia 30 às 23h30m notava-se o nosso cansaço mas também a alegria de termos realizado aquilo que nos havíamos proposto.


Àqueles que acharam e disseram que uma equipa feminina ia ser um desastre, que iam haver quezílias e guerrinhas de mulher, informo que se enganaram, demo-nos todas muito bem. A quem nos disse até "pr'o ano" posso dizer que contem connosco, estaremos lá, com ideias novas e garra para continuar. Aos "nossos homens" o nosso abraço por terem acarinhado este projecto. À nossa equipa parabéns e o desejo que continuemos em força para o ano.

(Fotos de Helena Barreto)

2007-06-25

Voar...

Hoje apercebi-me que por andar tão ocupada estou a deixar para segundo plano as coisas que mais amo na vida. Não tive tempo para ir ver a minha filha tocar piano, já há três dias que não telefono aos meus pais e à minha irmã, já não telefono aos meus amigos para bebermos um café há imenso tempo, ou seja, estou tão cansada e com tantas coisas em mente que não tenho tempo para os que Amo e, para mim, então nem se fala. Hoje li a minha alma e com ela nua vi que ando a mil à hora, que cada vez que os meus filhos me perguntam uma coisa respondo: "o que é" em vez de lhes dizer "diz filho(a)". Tenho de parar. Adoraria tirar um ano sabático para só me dedicar àquilo que mais amo fazer: ser mãe, namorar mais com o meu companheiro, estar mais com os meus amigos, penso que será apenas um sonho, esta máquina que é a vida obriga-me a rodopiar loucamente em várias coisas. Falta-me tempo, necessito de tempo, preciso de fugir ao tempo. Tenho de voar, de me sentir liberta de amarras e deveres, quero ser gaivota que esvoaça livre ao sabor do vento ou cagarra que grita prenúncios de bom tempo. Quero ter tempo, para dar tempo áqueles que amo. Libertem-me as grilhetas que o que eu quero é voar...

2007-05-17

À minha Princesa...

A minha Princesa nasceu há treze anos. Completou o seu décimo terceiro aniversário no dia 13 de Maio. Nasceu numa Sexta-Feira, dia 13, dia que todos dizem ser de azar; para mim foi um dia lindo. Puseram-na em cima de mim assim que nasceu e eu senti uma comoção enorme, nada que ouse explicar, porque para tal não tenho palavras... Nasceu a minha Princesa e contrariamente a tudo e a todos, não lhe demos o nome de Fátima ousámos chamá-la Ana Inês, um
nome que lhe assenta tão bem - é voluntariosa, persistente e dona do seu nariz. Não há no mundo, de certeza, maior alegria e amor do que dar à luz um filho. Não me lembro de maior prazer do que ser mãe, se calhar até há, mas não para mim. Nasceu a minha Princesa, o que lhe desejo é que seja feliz na sua caminhada pela vida, que encontre as veredas certas e as siga. Parabéns Meu Doce Amor, estarei sempre aqui para te apoiar no que necessitares. AMO-TE.

2007-05-15

Uma flor para a Marisa...

O sorriso da Marisa apagou-se, ou será que perdurará para sempre no nosso coração? Nada acaba, no nosso coração tudo permanece. Doí tanto ver uma vida jovem perder-se nos braços da morte, parece que tudo se esgota, que nada vale a pena. É nestas alturas que pergunto o porquê de tantas guerras, de tantos ódios, de tanta mesquinhez? Afinal o que somos? Pó e alma, o pó em pó se transforma, a alma esvoaça livre nos braços de Deus. É aí que a Marisa está, junto ao Pai.
Continuas a sorrir Marisa...

2007-05-06

Brisa de sonho...

A minha alma vagueia inquietamente inquieta. Por isso deixo o pensamento voar nas asas do sonho. Olha a Montanha, a lua adormece por detrás dela e o mar fica salpicado de prateado. A vida esvai-se por entre os nossos dedos, como areia fina que não conseguimos segurar. Quando damos conta, o tempo passou, os filhos cresceram e os gestos de carinho perdem-se no ar como passo de mágica. Queremos voltar atrás, mas o tempo não retrocede e a vida não espera. Há tantas coisas que devia ter dito, há tantos carinhos que devia ter feito, há tanto amor a brotar do meu coração que deveria ter florido nas pessoas amadas, mas não, tudo ficou adiado à espera de um tempo para o qual não há tempo.
A brisa esvoaça no meu cabelo sinto-a como se fosses tu a acariciar-me, como se estivesses aqui em tempo real a tocar-me como aquela canção antiga. Sinto na boca o sabor a mar e revivo os teus beijos. Sinto-te em mim, como pérola que o mar afundou... Onde andarás cavaleiro andante de todos os meus sonhos? Buscas de certeza novos portos de abrigo, novas sensações, e eu? Eu fico aqui, aguardando os beijos que tardam em chegar, o abraço que nunca se deu ou a magia das palavras que nunca se disseram... Por isso deixo-me vaguear na espuma branca e procuro-te para além do infinito, porque nada acaba meu amor, tudo começa...