Busco no infinito horizonte o Pico verdejante onde me encontro... está longe... muito longe! As gaivotas levam no seu voar as saudades que tenho de ti
Perco o olhar... buscando-te por entre o vazio do nada ou do tudo...
Olho-te para além do olhar... buscando-te a alma como som de guitarra que se perdeu no tempo...
Infinitivamente só, deleito-me nos teus sentidos... dispo-me de conceitos e de razões e vagueio solitariamente neste mar teu...
Procuro-te para além do horizonte... para além de tudo o que me rodeia... Procuro-te solitária em busca de um sentido para caminhar... da mão que quero que estendas até mim, mas que desapareceu nas rajadas de vento norte...
Infinitivamente só... sei que te imaginei, não existes... nada existe, excepto esta dor que fere como punhal que ousaste cravar em mim...
Desejaria caminhar nesse mar imenso e perder-me nele sem destino... até encontrar nas margens do Pico o meu eterno porto de abrigo...
Infinitivamente só... tão só... preenchida de ti...
(Foto: José Luís Ferreira)
