2008-12-10

Darmo-nos em vez de dar...

Começou a correria, a loucura desenfreada à procura da prenda certa para cada pessoa. Cortei com isso, embora não de forma total (para o ano certamente serei mais radical).
Este tempo deixa-me sempre a pensar se o acto de dar tem alguma coisa a ver com este consumismo assumido em que perdemos tanto tempo nas lojas que deixamos de ter tempo para dar uma palavra amiga a alguém. Afinal o que é dar? Teremos que forçosamente dar algo de material para nos darmos a alguém? Não será mais importante parar um pouco para conversar? Trocar uns carinhos? Dividir emoções? Partilhar gargalhadas ou lágrimas?
Não me revejo no modelo actual de Natal, perdeu-se a magia, esqueceu-se o importante, faltam os afectos, falta a azafama na cozinha para preparar a ceia, falta a família à volta da mesa, falta o diálogo (sem televisão ligada). Compramos tudo, vende-se tudo e, onde fica o Amor? O Amor Daquele que nasceu e morreu por nós? Terá valido a pena a lição que ele nos quis transmitir? Será que alguém ainda a ouve? ou o ruído dos Centros Comerciais consome tudo, até a mais bela mensagem do mundo?
Acreditem ou não, tudo gira à volta do Amor e, dar algo, sem nos darmos, não vale a pena.
Um Natal de Paz e Amor para todos os que passam por aqui.

2008-11-09

Em tons de castanho luz...

Sou uma amante do Verão, do verde e azul incomparáveis, do Sol a abençoar o Pico... chega o Outono e fico mais triste, o verde dá asas ao castanho, o azul transforma-se em cinzento. Chego a casa de noite e até o último cigarro fumado no jardim, tem o negro por companhia. Mas a moeda tem sempre duas faces e ao olhar as folhas que caiem, as flores que perderam a cor, as cagarras que já não cantam, ouço o silêncio das folhas e petálas soltando-se das árvores, o remor do mar a bater nas rochas e sinto-me em casa. Olho as folhas a cair, as flores que só nascem no Outono e deleito o olhar na magia do sentir..
Olho a Montanha, vestiu-se de cinzento (qual dor d'uma alma que sente e não diz...) e admiro a natureza que se renova, sozinha, sem necessitar de mãos humanas... Analiso-me e dou-me conta que Amo o Outono, uma nova estação que me traz vida em castanhos marejados de luz...

2008-10-23

Saudades....

Ando em maré de silêncios... fujo das palavras e de grandes alaridos sonoros... Hoje, no entanto, lembrei-me de uma palavra que se adapta muito bem ao sentir do povo português: saudade , talvez porque sinta (sentimento) saudades, ou a falta de, ou, de alguém... Sinto saudades da minha infância, de correr livremente pelas ruas da terra do meu Pai, sem medos, sem preocupações, sem pensar nada no dia de amanhã... Sinto-as da minha adolescência marcada pela irreverência, pelas dúvidas, pelos afectos, pelos amores e desamores... Do cheiro que Lisboa tinha, das castanhas assadas, dos pregões da Ribeira, do cacau quente... Sinto saudades dos meus pais e irmã, da nossa enorme cumplicidade, de me limparem as lágrimas sem me perguntar o porquê delas, de compartilhar uma gargalhada pela "coisa mais banal do mundo" e não ser apelidada de tolinha... e os abraços, daqueles fortes, que levavam consigo todos os medos e angústias e eram um conforto enorme para a alma... de andar descalça e "chapinhar" nas poças que a chuva deixava... de namorar à beira-mar, dos silêncios trocados a dois, dos meus filhotes pequeninos e só meus, tão inteiramente meus...
Sinto saudades... esse sentimento em vez de mágoa faz-me sentir grata por ter vivido intensamente tudo o que vivi...
Desculpem lá... volto ao silêncio das emoções...

2008-10-21

Calem as palavras...

Não me digam nada! Deixem-me divagar ao acaso do vento em botes de sonho, em noites de luar intenso... Não usem palavras, sabem-me a vazio, são mascaradas de sons adocicados que me soam ocas e sem sentido...
Não me digam nada! Rigorosamente nada! Não tentem inventar palavras ou frases melodiosas porque já outros as disseram e inventaram, soam-me todas iguais, soam-me todas banais... Deixem-me reinventar o silêncio, buscar as palavras dos olhares que brotam da alma... em silêncio, só silêncio. É no silêncio que encontramos a alma de quem olhamos nos olhos, sem desviar o olhar, desnudamo-nos perante esse ser, no abraço sentido reencontramos tudo o que jamais conseguiremos dizer com frases feitas...
Deixem-me reinventar o sonho acordado e sem palavras vazias esvaziar as minhas emoções...
Apenas hoje, deixem-me sonhar... Não me digam palavras...

2008-10-09

Libertem-se as lágrimas...

Hoje posso deixar correr as lágrimas e não me preocupar nada com o que os dedos desenham nas teclas... A minha mãe não saberá nunca deste escrito... Ontem disse-lhe que a distância não existia, de facto não existe, mas não lhe disse que magoa, que o meu coração ficou apertado por não poder estar ao seu lado no dia do seu aniversário... por não poder estender os lábios e tocar o seu rosto enquanto suavemente me aninhava nos seus braços... Ontem pintei um céu azul rodeado de flores amarelas para ela... hoje olho-me ao espelho e revejo a tormenta de sentir a sua ausência, sei que é só física, mas como necessitava de estar a seu lado inventando o pôr de sol e o amanhecer enquanto ela me mimava, falando em murmúrios para mais ninguém entrar neste mundo só nosso... Ontem pintei um sorriso no rosto e alegrei a voz só para ela não sentir a tristeza do meu coração... Ontem queria voar para ir ao seu encontro, só consegui inventar asas imaginárias em sorrisos de ternura...
Hoje vagueio por esta estrada sem fim, sem saber se encontro o caminho que vai dar até ela...
(Foto: José Luís Ferreira)

2008-10-08

Parabéns Mãe...

Fazes hoje 70 anos de uma vida vivida mais em função dos outros do que de ti... És uma excelente Mãe e a nossa maior Amiga. A cada passo que damos estás tu para nos apoiar, quando as lágrimas caiem são os teus braços que as limpam, quando os sorrisos brotam são os teus olhos que brilham de emoção... Conheces a nossa alma como mais ninguém, mesmo à distância consegues intuir o que sentimos.
Nunca estás ausente, nunca estás cansada, pelo contrário estás sempre pronta para nos ouvir e acolher.
Hoje mandar-te-ei um beijo pelo telefone, mas sei que o sentirás no teu rosto como se eu estivesse presente e realmente estou-o, a distância é apenas um aspecto físico, nunca estaremos ausentes dos corações de quem amamos (sei que quando a Inês te beijar sentirás os meus lábios no teu doce rosto e voltaremos a ser uma só e nunca três em separado...).
Parabéns Mãe por este dia.
Com todo o Amor das tuas filhas.

2008-09-24

Até sempre... Dias de Melo


Silenciou-se o Escritor da Baleação... perdi um amigo... desculpa amigo não tenho um cravo vermelho para te oferecer... deixo-te uma rosa.

2008-09-18

Luares...

No céu as cagarras esvoaçavam, enquanto a lua cheia beijava o céu... ao longe o som da guitarra entoando "Je T'aime... Moi Non Plus" de Jane Birkin & Serge Gainsbourg... nós de mãos dadas olhávamos o infinito, perdidos no sentido dos cheiros e da majestosa realidade que nos ultrapassava... Não falávamos, o silêncio dizia mil palavras e as nossas mãos procuravam unidas uma infinidade de significados... Abraçamo-nos... quietinhos com medo de acordar a magia que o tempo real nos tinha oferecido. Ficámos estagnados a olhar o dia que terminava dando lugar á mágica noite que se adivinhava... o mar cantava suavemente enquanto desfalecia nas pedras... a lua cheia adormecia, por fim, nos braços do mar... as árvores murmuravam palavras doces entre si... e nós?... "nós" voávamos nas asas de uma cagarra ao som de uma velha canção... ao encontro do Pico que nos acolhia no seu leito...

2008-09-06

Obra de Ampliação do Museu dos Baleeiros















Após uma longa "maratona" foi inaugurada a Obra de Ampliação do Museu dos Baleeiros. A cerimónia presidida pelo Exmº Senhor Presidente do Governo Regional dos Açores, foi recebida pela Filarmónica Liberdade Lajense, já dentro do novo espaço o Grupo Coral das Lajes do Pico encantou-nos com a canção "Boi do Mar" do qual destaco a brilhante e comovente prestação do Senhor Director do Museu do Pico, seguidamente o Senhor Presidente do Governo Regional destacou no seu discurso a importância do Museu do Pico no contexto Regional.
Como funcionária desta Instituição, à qual me orgulho de pertencer, só tenho de enaltecer a forma como decorreu a inauguração, sem poder descurar o empenho do Exmº Senhor Director Regional, do Director do Museu e daqueles que colaboraram para que tudo estivesse pronto a horas e orgulhasse o povo Lajense.

2008-08-18

2º almoço bloguista no Pico
















Na continuação do que foi feito no ano anterior este pequeno grupo voltou a reunir-se à volta da mesa, este ano no Restaurante "Ancoradouro" na Areia Larga. Compareceram ao encontro o "Castelete Sempre", "Ilhas do Mar" e "Devaneios", para além dos comentadores Artur Xavier, António Madruga e António Ávila. Foi um excelente momento de convívio. Até para o ano.

2008-08-08

Voou nas asas de uma gaivota...

Já aqui disse que lido muito mal com a morte... com o desaparecimento de pessoas que Amo... Perdi uma AMIGA, alguém com quem vivi momentos únicos, que não se repetirão com mais ninguém porque cada ser, é um ser único.
Conheci a Fátinha quando cheguei ao Pico já lá vão 22 anos, fomos muitas vezes juntas ás consultas quando estavámos grávidas, eu do João, ela da Iolanda. Lembro o seu riso, a sua voz quando integrava um conjunto local, lembro-a cheia de vida, fluorescente como um arco-íris. Lembro-a na última viagem que fizéssemos em Abril de Lisboa para o Pico, conversámos imenso, lembro o som da sua voz, o seu abraço quando me viu, a sua força de viver... Nunca a esquecerei.
Perdi uma AMIGA, mas sei que ela voou ao encontro do Criador nas asas de uma gaivota...
À Iolanda e ao José Manuel envio um beijo... lamento mas não tenho palavras para mais...

2008-08-05

Melancolia...

Ao deslizar os dedos pelas teclas sinto-te como um piano que desliza em sons de palavras... já não te toco há tanto tempo, perdi-me algures na melancolia do vazio e no reboliço intenso por onde tenho navegado.
Ando num rodopio intenso que me ultrapassa e esmaga, como se as horas e os dias acontecessem todos ao mesmo tempo, roubando-me tempo para navegar em devaneios ou perder-me a olhar o Pico. Não tenho tempo, nem para sonhos reais ou para cavaleiros andantes nas minhas nuvens de cetim... esgotaram-me o tempo, até aquele que dedico a este espaço que fala apenas do que me vai na alma... esgotaram-me, arrancaram de mim ilusões e realidades sentidas, destruiram-me o pensamento e o sonho. Vivo dias reais de confusão e ruídos em que os sentidos estão todos voltados para um centro que me escraviza.
Penso no sentido da vida, ou em vidas sem sentido que me vão massacrando, mutilando, em tons de cinza e fumaça...
Quero voltar ao azul colorido dos sonhos e das magias, das palavras da alma que rodopiam em ondas quentes e doces, neste mar eterno que me envolve... quero olhar a minha montanha com os olhos do coração em noites de lua cheia embalada pelo cântico das cagarras... quero abstrair-me do ruído das obras e do reboliço do Pico em mês de Agosto e, tranquilamente deixar-me navegar nesta trilogia única: montanha, mar e cânticos...
Estou cansada, necessito parar, dar um mergulho e perder-me ao sabor das ondas... deixar os dedos tocarem as melodias das tuas palavras, não são as minhas, são as da alma que me segredam ao coração... Não sei se voltei, sabes? Amanhã um novo dia nasce e o rodopio continua, e eu? Bem eu estarei envolvida em ruídos cruéis que como punhais se enterram em mim...
Olho-te de novo, minha montanha e embarco no sonho de amanhã te poder contemplar em azuis de marfim com sonatas de cagarra...

2008-07-06

Quando...

Quando as flores dão lugar aos maracujás e invadem de verde o meu pequeno jardim... quando o sol aquece o dia e, a noite, acorda de mansinho coberta de estrelas... quando o mar se transforma de cinzento em azul e verde... quando a minha montanha se descobre perante os olhares extasiados... quando a minha alma voa nas asas de uma cagarra... quando solto o beijo e ele roça os teus lábios ou face... quando abraço o vento que me toca o rosto levemente... quando acordo com um sorriso no olhar... quando estendo a mão e sinto uma mão amiga que espera a minha... quando as lágrimas caiem e as deixo soltas a escorrerem pelo rosto... quando o abraço apertado saí da minha alma ao encontro de outra... quando estou presente mesmo sem me dizerem para estar ali... quando ouço de mansinho a chuva tocada ao som de violinos inventados... quando sinto que estou mais além e ao mesmo tempo possuída pelo meu Pico... quando encontro a paz, depois da tormenta... quando sou eu, mesmo eu, sem me preocupar com o que pensam... quando me entrego por completo, deixo a paz invadir-me e de olhar perdido na montanha pergunto-me até quando??? quando? enquanto as nuvens forem de cetim e tiverem sabor a algodão doce...

2008-06-20

Nevoeiro...


Estou envolta em nevoeiro... (tal como D. Sebastião que estamos à espera que regresse num noite de nevoeiro). Regressarei? Talvez... Partirei? Quase de certeza... Estou de passagem, nesta breve melodia que alguns poetas cantaram e a que ousam chamar vida... Olho o nevoeiro a invadir o meu verde maravilhoso (só esta ilha tem estes verdes) e esvoaço nas asas do meu pássaro azul que teima em cobrir-me de sombras... Serei sombra apenas? Não sei, perco-me no verde imerso em nevoeiro, nos azuis que se transfiguram em cinzentos, no mar límpido a desmaiar de prazer nas encostas de pedra de lavra a clamar o basalto negro que nos preenche... Estou aqui! Estarei aqui? Não sei deixo-me preencher pelo tudo que me inunda para além do que a minha alma alcança... Alcançarei algum dia o tudo? Ou serei apenas uma alma vagueante em busca do equilíbrio harmónico que a vida nos dá? Não sei! Que sei eu? Nada... Deixo-me perder no nevoeiro que me eleva em asas de cagarras que teimam em voar...

2008-06-04

Meu Amor...


Há dias felizes. Hoje é um deles! ... mesmo que o céu estivesse coberto de nuvens, chovesse torrencialmente, o mar cinzento e revolto, eu continuaria feliz... mas não, até o dia, está a contemplar silenciosamente azul a minha felicidade...

Estou a flutuar em nuvens de cetim... deixo passear no olhar todos os sorrisos... nasceu há 17 anos o meu primeiro filho, um dos meus Amores maiores, daqueles que não esmorecem com o tempo, que não acabam ou se esgotam... Amo-o porventura hoje ainda mais do que quando ele nasceu, apesar de o ter amado mesmo antes de o conceber... por ele dou a vida, por ele abdico da vida, porque é nele e na irmã que encontro o sentido da minha caminhada...

Deixo-me tocar levemente pela brisa do mar que me traz os beijos que ele teima em já não me dar... volto atrás no tempo e sinto-o tão meu, será sempre meu... sinto-o no meu colo a ser embalado para dormir...agarrado ao meu peito para ser alimentado... tão inteiramente meu...
O meu doce Amor cresceu, toma decisões, enfrenta a vida e, eu? eu sou a sua sombra, o seu anjo protector... estou presente mesmo quando ele não sabe que eu ali estou, estarei sempre presente...
Olho-te e brilham nos meus olhos todas as estrelas do céu numa noite de lua cheia... Orgulho-me tanto de ti Meu Amor...
(Respeito a sua vontade por isso não publico nenhuma foto dele, ofereço-lhe as flores do meu jardim...)

2008-05-25

Tapetes de Flores...

No dia de Corpo por Deus é habitual um pequeno grupo de pessoas unir-se para fazerem os tapetes de flores na chamada Rua Direita da Vila. Cada vez somos menos, de ano para ano as pessoas vão desaparecendo e os que restam são constituídos por pessoas, já com alguma idade. Poucas são as pessoas das outras ruas da Vila que se disponibilizam para ajudar neste trabalho. Como se a Vila não fosse uma só.
Dos mais jovens poucos são os que se juntam a nós, ainda não perceberam o sentido da tradição e que é das tradições que um povo vive. Sem passado, não há presente, sem presente não há futuro.
Já há vários anos que me uno ao grupo e ajudo no que é possível e sinto um prazer enorme em partilhar aquelas horas com as pessoas que esquecendo os seus afazeres, as suas doenças partilham o seu tempo na ornamentação da Vila. Reconheço que já não temos a mesma energia que tínhamos, mas o certo é que juntas fazemos o que nos é possível e às vezes o impossível. Lamento imenso que a Vila não se una neste dia, lamento que os escuteiros não apareçam para trabalharmos em conjunto. Até este ano foi ainda possível realizar esta tarefa, começámos às 7h da madrugada e terminámos às 11h20m, cansadas, mas com garra conseguimos.
Conheço o passado, o presente já passou, preocupa-me o futuro. Quem irá fazer os nossos tapetes? Quem irá continuar a tradição? Não sei.
A todos os que participaram quero deixar a minha singela homenagem e se Deus quiser, cá estaremos para o ano.



(Foto: Zé)

2008-05-19

Moulin Rouge...

A Mónica e o Mike sonharam e como dizia António Gedeão "...Quando um Homem sonha, o mundo pula e avança..." e avançou! Reuniram vários amigos e colegas e fizeram um espectáculo soberbo, um autêntico acto de cultura. Sem encenador, sem coreografo, sem professor de dança. Durante meses reuniram-se, trabalharam e mostraram que mais uma vez a Ilha do Pico tem um potencial cultural interessantíssimo. Para aqueles que dizem que vivemos no "fim do mundo", que estamos longe dos grandes centros culturais, musicais, cinematográficos, digo-vos que se conseguem fazer grandes "Obras" na Ilha do Pico... Certo é que somos desprezados pelos grandes meios populacionais, a televisão não fez um directo (nem sequer um apontamento), no entanto para os felizardos que tiveram o prazer de assistir a este espectáculo fica a esperança de novas repetições. Com poucos apoios estes jovens demonstraram que a "união faz a força" e o trabalho e esforço foram recompensados pela ovação que receberam no final...
Continuem a Sonhar...

2008-05-13

Princesa


Desejámos-te ainda antes de te conceber... fundimos duas almas e dois corpos num só para Criar o ser maravilhoso que és tu.
Parece que foi ontem, já lá vão 14 anos... que saudades temos de ti em bebé, eras tão nossa, que orgulho temos em ti como adolescente. És uma lutadora, buscas os teus ideais, procuras novos caminhos, és uma amiga sempre presente.
Já 14 anos, passou tão depressa... depressa demais... o tempo é só tempo, o importante é continuar a amar-te e saberes que estaremos sempre a teu lado, nos dia de sol e nos de tempestade. Se caíres sabes que estaremos lá para levantar-te, se voares alto seremos as tuas asas, em cada vitória terás o nosso sorriso, em cada derrota o nosso ombro para chorares...
És o nosso sublime Amor, amar-te-emos sempre...
Um beijo doce nossa princesa e que a vida te dê muitas rosas, que saibas apreciar a sua beleza e aprender a defender-te dos seus espinhos...
Parabéns linda princezinha...

2008-05-04

Flores para a nossa MÃE...

Eu e a Inês queremos dizer o quanto a nossa Mãe é importante nos nossos caminhos. Isto é uma simples mensagem a quatro mãos.
"Mãe, tu que sofrestes as dores do parto, que nos amastes ainda dentro do teu ventre, que sorristes ao nosso primeiro choro (sinal de vida), que nos acompanhastes com lágrimas e sorrisos, nos momentos maus, nas alegrias infindáveis. Tu MÃE que estivestes ao nosso lado, ajudando-nos nas quedas e nas alegrias... Tu MÃE que deixaste de viver a tua vida, para viver em função de nós... A ti que não te demos o devido valor... esquecemos-nos tanto de ti e ao mesmo tempo lembramos-te a cada momento. Tu, nossa Mãe, que renegaste tudo para seres Mãe, que te esqueceste de ti, para nos dares uma vida melhor... És a maior das mulheres. O nosso Amor é todo teu... Tu, que nos ensinaste a ser boas esposas e boas Mães... Tu que chorastes todas as nossas lágrimas e ofereceste o teu colo... Tu que vibrastes em cada vitória nossa... que estivestes presente em cada neto que a vida te deu... Tu, mulher anónima, que ninguém conhece, só nós te entendemos e só nós te amamos para além de tudo... Tu... Mulher... Mãe a 100% que soubestes dizer sim e não... Tu serás sempre a nossa MÃE, olhando com a ternura que o teu abraço nos oferece... Obrigado por seres quem és...És a Maior das Mulheres" As tuas Filhas, hoje e sempre, Querida Mãe...

2008-05-02

Ausência...



Sinto-te a falta... faltam-me as tuas palavras, a melodia harmoniosa da tua voz... o som da guitarra perdida no tempo... Sinto-te a falta... Desejara voar e ir até ti... enroscada no teu abraço perder a dimensão do tempo e do espaço... buscar um tempo sem tempo para te amar... Sinto que o tempo foge... vou perder-me no vazio de uma nuvem de cetim que ninguém alcançará... já não tenho tempo... por entre os dedos fugiu-me a alegria de viver e sentir... entrei numa tempestade cinzenta que me leva para além de ti e desta dimensão real... como se o Criador quisesse que eu voasse até si, sem deixar margem de manobra...
Sinto-te a falta... doí-me infinitavamente a tua ausência... ou será a minha ausência? Estou a navegar num barco sem remos e vela... Procuro-te no vazio do tudo, em emoções de nada. Não te encontro... o tempo escasseia e eu perco-me na ausência... Onde andas? Onde estás? Porque não estendes a mão? Estou só, esvaziada...esventrada, sinto que o tempo para mim parou... acabou! Nada há a fazer... Algum Deus quer que eu me liberte nas suas asas e que abandone, sem princípio ou fim este tempo que parece real...
Sinto-te a falta... tanto que até doí. E, tu vais sentir a minha falta? Os meus olhos estão a fechar-se... sinto que o mar veio buscar-me e partirei com ele em busca de um arco-íris... Um dia, quando voltares, pensa em mim... porque sinto que eu já não estarei aqui...
Sinto-te a falta... tanto... que até doí....



(este texto não é dedicado a ninguém, é apenas um excerto de uma carta muito antiga...)


Foto: José Luís Ferreira