2008-03-18

Silêncios...

Silenciosamente olho-te… esse vermelho entardecer abraçado a nuvens cinzentas, quase negras… encanta-me!

Lá fora só o som das cagarras entoando cantigas de Amor...

O mar desmaia de prazer nas negras pedras... Cinzas, vermelhos, azuis misturam-se em plena harmonia, formando apenas um...

Os amantes entregam-se ao prazer... fundem-se no silêncio mágico da razão de sentir...

Silêncios... poemas pensados e nunca escritos... palavras que nunca se disseram... só silêncio!

Ébriamente bebo o prazer de te contemplar... deito-me nas tuas nuvens de cetim... sabem a algodão doce... já sabes que sim...

Silenciosamente entrego-me ao prazer de te admirar... sei que és intocável. Não importa... Posso amar-te no silêncio dos tons que me ofereces todas as noites...

Lá fora uma serenata de cagarras embala o início da noite... olho-te ... silenciosamente...

Enfeitiçada por ti... fica apenas o silêncio...

2008-03-09

Enfim... 47

Ao contrário da maioria das pessoas que conheço quando cheguei aos 4o anos, senti-me realmente bem... estava mais madura... mais sensível... mais atenta aos problemas dos outros, em suma mais humanizada, como se o percurso com vários tropeções da vida me tivesse ensinado a ser mais "sábia".


Reconheço que o final dos 45 e os 46 anos não foram muito positivos, tiveram muitos percalços, no entanto acredito que se tivesse passado o mesmo aos 20 ou 30, não teria sabido agir com a mesma harmonia que me fez ultrapassar essa fase menos boa.


Chegaram os 47... fechei imensas portas e abri de novo as janelas que valem a pena para arejar os meus dias. Deixei entrar o Sol e o vento norte varreu por completo algumas teias de aranha que teimavam em minar o que sou...


Estou em inquietante conjugação harmónica com a vida... Assim poderei voltar a voar livre nas asas das cagarras que já animam as noites do meu Pico...

Sei que algumas pessoas ao lerem este texto vão tirar ilações daquilo que não está escrito, não importa, o que me importa realmente é aquilo que os meus amigos conseguem ler no que escrevo...


Obrigado a todos que de alguma forma estiveram comigo neste dia.


















2008-03-06

Tonalidades ...

Perco-me a olhar-te, sinto-te pulsante a emergir da terra, sugando docemente a seiva que te alimenta... A chuva deixa-te encharcada, o vento norte agita-te furiosamente... Continuas ali mesmo assim... para deleite da minha vista preenchida pela tua beleza... saboreio-te, embriago-me com o teu cheiro... entrego-me ao puro prazer de te tocar suavemente, quase a medo... medo de não ser digna de ousar sequer pensar tocar-te... tamanha fonte de beleza, suavidade e efemeridade tu transmites...

Perco-me hoje a olhar-te, amanhã sei que quando te olhar já terás as tuas pétalas abertas ao Sol que te aquece... virei olhar-te todos os dias... sucessivamente as tuas pétalas irão caindo... até ao dia que cairão todas e tu voltarás à terra que te fez nascer...




(Estou cansada de dizer que as fotos são minhas, assim quando tal não acontecer, publicarei a respectiva autoria)

2008-03-03

Em vermelho fogo...

Ontem recebi uma lição de vida de um miúdo de 16 anos. Deu-me a ler um texto que tinha escrito que falava sobre a sociedade actual, essencialmente sobre sentimentos. Descreveu de uma forma pertinente as relações. O sexo confundido com o Amor. O aproveitamento das emoções e da sensibilidade de algumas pessoas por outras que mentem e mascaram sentimentos com belas palavras apenas para obterem o que querem, depois deitam-nas fora como algo descartável e sem qualquer significado. Seguem sempre em frente não sentindo qualquer mágoa por terem ferido outro ser. Como é verdade esta realidade.
Falava também do sinónimo de felicidade no mundo actual que passa por ter um bom emprego, uma boa casa, um excelente carro. Quando a felicidade afinal se atinge não pelos bens materiais mas por pequenas coisas simples para as quais não se dá atenção, nem valor.
O texto estava de tal forma bem escrito, que me perguntei :”Que raio ando eu aqui a fazer, quando um miúdo de 16 anos escreve muito melhor que eu?”
Estamos um pouco habituados a achar que miúdos desta idade são imaturos, confesso que já lidei com muitos homens, que o são muito mais.
Perante este belo pôr do sol detive-me no texto que tinha lido e deitei-me com a alma cheia de beleza... pena que não tenha autorização para publicar aqui uma mensagem tão importante... ficam as palavras doces de quem aprendeu a viver a vida respeitando os outros e dando valor ao que realmente o tem...
(Foto - minha)

2008-02-20

Emotivamente, eu...


Voei toda a noite em pensamentos, emoções, sensações e desejos... dormi pouco, nos braços dos anjos.
Estou cansada, farta diria até, de andar constantemente inquieta, de ter as emoções à flor da pele... de procurar constantemente o meu porto de abrigo, de nunca saber se vou ou estou.
Estou sempre presente dizem os amigos, pois estou! Será esse o mal? O não conseguir desligar, ou o desligar-me de mim para estar sempre presente nos outros? Não sei, aliás não sei nada.
Cada vez que julgo que estou segura, a salvo de todas as inquietações, algo me vem inquietar e pedir a minha atenção. Sempre foi assim, talvez seja sempre assim...
Sei que não sou nada lógica, que vivo sempre em tornados de emoções e sensações, que quanto mais amo uma pessoa, mais sensível me sinto perante tudo o que a rodeia, que quase adivinho aquilo que as palavras não dizem. Cada vez me convenço mais que os melhores sentimentos são partilhados no silêncio dos afectos...
Todos os grandes momentos de vida que vivi foram gerados em sensações e emoções... A primeira vez que senti os meus filhos mexerem-se dentro de mim, quando ao nascerem os deitaram em cima de mim, quando os beijei entre lágrimas, quando os abraço antes da noite acabar, quando os olho quando o dia começa e o beijo tarda... Quando apaixonadamente me apaixono pelo pôr-do-sol, pelo nascer do dia, pela eterna Montanha, pela chuva que me escorre no rosto, pelo Sol que me beija ao amanhecer... Quando divago sem porto de partida ou chegada...
Não deve ser nada fácil conviver com alguém como eu, uma fulana, que está sempre em constante e permanente inquietação, que repudia as convenções, os moralismos, os preconceitos e que vive ao sabor das vagas de mar...
Procuro mesmo um porto de abrigo? Quero mesmo aquietar a minha alma? Sei lá... Deixem-me voar nas asas das gaivotas, em sopros de vento norte...



(Foto - minha)

2008-02-15

Olhar-te...

A madrugada acordou-nos com um sorriso.... Olhámo-nos intensamente e no silêncio do dia que acabava de nascer, deixei-te ler-me a alma profundamente inquieta, que só tu sabes entender...
Desnudei-me por completo sobre o teu olhar que não se desviava do meu... então entendi que seremos sempre apenas um... para sempre...
Adormeci de novo, feliz, nos teus braços...







(Foto minha)

2008-02-07

Sentidos...


Acordei gelada, são 6h45m da manhã.
Venho à varanda e deparo-me com a minha Montanha vestida de branco... aquece-me de imediato a alma e o corpo perante tamanha beleza... fiquei ali parada no silêncio da madrugada a olhá-la...
Deixo as lágrimas escorrer... e completamente só, fico ali sentada a contemplar a beleza que não se esgota, o encantamento que não finda, a paixão que não se extingue....
Lá fora só eu e os passáros disfrutamos desta magia... impera a ausência das falsas palavras... dos sentimentos fingidos...das promessas quebradas... de felicidades por inventar...
Invento um sorriso... volto para a cama abraçada em branco neve, que me aquece e me faz sonhar...

2008-02-04

Montanha...

Detenho-me a olhar o Pico, abraçado em nuvens brancas de algodão doce... o seu imenso verde quase que desaparece no azul cinza que se quer impôr...
Deixo a minha alma inquieta vaguear no meio de tanta cor e luz, por momentos, estou em paz. Nada me faz sentir tão livre e tranquila como a montanha que me obriga a amá-la, como se tudo o resto deixasse de existir.
Não basta olhá-la, é imperioso sentir a magia que ela emana e nas asas das gaivotas voar livremente até ela...pertencer-lhe como se fizesse parte intrínseca de nós...ou nós dela...
Perco-me sempre, ou se calhar, encontro-me sempre, quando ela decide mostrar-se, como uma virgem recatada que se guarda só para quem ela quer...
Desejara ser nuvem, sol, chuva, vento, gaivota ou cagarra para poder adormecer tranquilamente nos seus braços...


Foto: minha

2008-02-01

Carnaval 2008...












Como diz o velho ditado: "A vida são dois dias e o Carnaval são três". Verdade ou mentira o certo é que as ruas das Lajes do Pico se encheram de cor, música e alegria. Mais uma vez a Escola Básica e Secundária das Lajes do Pico organizou um cortejo onde participaram alunos e professores.

Com um grande número de assistentes, apesar do frio e da chuva que ameaçava cair, a Vila ganhou "vida" uniu-se e participou animadamente neste acontecimento.

Será tempo de se tirarem máscaras e, de fantasiar a Vida com cor, música e alegria durante 366 dias.

Bom Carnaval e nada de excessos...





Fotos: minhas (e como não podia deixar de ser dei destaque aos meus dois amores e amigos)

2008-01-23

Preocupações e/ou indiferenças



Andam as revistas côr de rosa e, não só, preocupados com os casos mediáticos da Carla Bruni e do Sarkozy ou do Hugo Chavez com a Naomi Campbell. Se namoram, se vão casar, se já casaram. Ao tomar o pequeno almoço no café, embora tente desligar, ouço que o fulano a anda com a fulana b e a fulana b com o fulano c e assim sucessivamente, dariámos de certeza a volta ao alfabeto e voltávamos ao ponto zero.

Nada destes assuntos me preocupam, ou tiram o sono. O que me deixa preocupada, impotente, triste e até me tira o sono são os dados que constam do Dossier do Desenvolvimento e do Ambiente (ONU), que passo a citar:

"Poderíamos salvar a vida de 5 milhões de crianças que morrem de diarreia todos os anos. Custo: 700 milhões de euros, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armas, apenas em 6 horas;
Poderíamos equipar 80 000 aldeias com bombas para tirar água. Custo: 12 milhões de euros, ou seja, a quantia que se gasta num só teste nuclear;
Poderíamos salvar as florestas tropicais. Custo: 1,4 bilhões de euros por ano por um período de 5 anos, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armas no período de 12 horas;
Poderíamos impedir a desertificação. Custo: 5,6 biliões de euros, ou seja, a quantia que o mundo gasta em armamento em apenas 2 dias".
Outra fonte Oficial diz:
" - Existem no mundo cerca de 639 milhões de armas de pequeno porte, uma para cada 10 pessoas;
- São produzidas todos os anos mais de 2 balas por cada ser humano;
- 500 000 pessoas são mortas por armas convencionais todos os anos: 1 pessoa por minuto;
- Calcula-se que há 300 000 crianças-soldados envolvidas em conflito;
- 1/3 dos países do mundo gasta mais na defesa e equipamento militar do que nos serviços de saúde e de segurança social;"
Como alguém dizia: "Só se pode filosofar de barriga cheia", se calhar, eu só atenta a isto porque a minha não está vazia. No entanto algo tenho como certo, não me preocupo com a vida do Sarkozy, do Hugo Chavez ou com os casos dos fulanos a e b desta terra...
Fotos: (retiradas da Net)


2008-01-21

Em sonhos do meu Pico...

Ao acordar deparei-me com o azul céu e o Pico, a minha montanha, a impor-se a quem nela detinha o olhar.

Como sempre parei extasiada a olhá-la. Os seus contornos, que relembram o seio de uma mulher, acordavam o horizonte e abraçavam o céu em beijos de ternura tímida.

Todos os meus sonhos voltaram a ser azuis, como o azul céu e mar a acarinhar o verde da montanha que nos deslumbra.

Perdi-me para lá do reboliço da hora matinal, esqueci o ruído das conversas e dos carros que teimam em acelerar, centrei-me na Montanha e voltei a apaixonar-me por esta magia com cheiro a mar que a abraça de mansinho e o céu que lhe sussurra palavras de amor.

Voei nas asas de uma gaivota e entreguei-me ao sabor da magia e cor. Nada mais importa, tudo volta a ser azuis e verdes que se entrelaçam em corpos nus, despidos de preconceitos prendendo-se na beleza de sentir, de dar, de amar, de sonhar...

Como é belo o meu Pico, como descansa a minha vista nesta Montanha que me desperta todas as emoções. Neste enamoramento sou livre e entrego-me plenamente nas asas do sonho...

Estou na ponta do meu Pico e aí, sem telemóvel ligado, deixo-me voar numa nuvem de branco cetim...


(Foto: minha)

2008-01-18

Em compasso de espera...

Estou triste, dessas tristezas que se abatem sobre nós quando nos apercebemos que o sonho afinal não era azul, mas sim cinzento escuro de uma noite sem luar.




Olho o mar revolto que se agita em vagas altas atirando-me para as negras pedras ou para mar alto onde não se vislumbra a terra.




O céu está coberto de cinza a prometer uma chuva que já sinto cá dentro, se calhar, só se calhar, são as lágrimas que escorrem no meu rosto e que não deixo ninguém enxugar.




Não me importo de demonstrar a minha tristeza, sinto-a, está presente até no sorriso que teimo em oferecer. Vá lá, ainda consigo esboçar um triste sorriso, apesar das lágrimas continuarem a percorrer o meu rosto e morrerem lentamente nos meus lábios. Sabem a sal, tal como o mar, que me acalenta o desejo eterno de nele me perder...




Os sonhos deveriam ser eternamente azuis, mas não, alguns ganham vida, outras cores e voam nas asas das gaivotas à procura de outras pedras, outros lugares. Outros tornam-se cinzentos, acabam por morrer e levar com eles um pouco de nós...




Os sonhos, só por serem sonhos, nunca deveriam morrer, deviam esvoaçar livres na brisa do vento norte e espalhar por onde passassem sementes de amores, paixões eternas, cânticos divinos, abraços silenciosos e beijos perdidos no desejo e no tempo...




Os sonhos deveriam ser azuis... mas, como nada é linear na vida, este meu sonho, de que hoje acordei, é apenas e só cinza escuro.















(Foto: José Luís Ferreira)











2008-01-17

As minhas melhores amigas

A minha mãe A minha Princesa












A minha irmã





Hoje comemora-se o "Dia das Amigas", não podia deixar passar o dia sem fazer referência aquelas que são, sem qualquer sombra de dúvida, as minhas melhores AMIGAS. Elas não necessitam de um dia em especial, são-no ao longo de todos os dias, em todos os minutos e segundos do meu caminho. Para estas três Mulheres deixo o meu eterno carinho. A palavra Amor é pouco para eu descrever o que sinto por elas, por isso fica o silêncio do nosso sorriso...

2008-01-07

Sombras...



De volta ao Pico e a este espaço que não consegui acabar porque faz parte de mim como se fosse um filho que concebi e dei à luz.

Aqui estou de novo sem certezas de nada e com dúvidas de tudo. Continuo na incerteza constante se estou, ou não, mesmo aqui.
O meu pensamento voa nas asas das nuvens e parte em divagações que ultrapassam a razão ou o senso comum. Não há hipótese, por mais que deseje ser realista, sou mesmo uma sonhadora, vivo de sonhos, que às vezes, se tornam autênticos pesadelos. Há em mim um permanente desassossego, uma inquietação constante que nunca se acalma. Por muito que caía continuo eternamente apaixonada, pela vida, pelas pessoas, por aquilo que faço ou imagino fazer, não consigo viver de uma outra forma, apesar de todas as desilusões com que me vou cruzando nos meus dias. Pergunto-me se não será melhor repensar os meus passos, atracar o barco da minha vida num porto seguro onde o mau tempo não o atinja e aquietar-me no meio termo de uma vida vivida assim, sem grandes ondas de mar.
Comecei 2008 em pura reflexão, fechei várias portas que estavam abertas em 2007, consegui perceber que o ser humano é realmente o pior dos bichos à face da terra, usam e abusam dos crédulos, daqueles que acreditam nas pessoas, daqueles que se dão por inteiro, por isso a partir de agora estarei aqui de mente e coração aberto apenas para aqueles que navegam no mesmo mar que eu... Feliz 2008 para os que frequentam este espaço.


(Foto: José Luís Ferreira)

2007-12-11

Reflexão

Este céu do meu Pico não deixa de me encantar e ajuda-me a reflectir, pois é amigos, entrei em período de pura reflexão. Este, será provavelmente, o meu último texto de 2007.

Todos os anos por esta altura fecho-me na minha concha e medito nos passos que dei, no que vivi e traço um rumo para o ano seguinte. Verdade seja dita que me afasto quase sempre do rumo que tracei...

Estou a pensar seriamente em terminar com o "Devaneios", este blog nasceu a 25 de Março de 2006, foi uma forma de publicar os meus estados de alma, a que chamo de minhas tonterias, de expor sentimentos e emoções. Com ele, ou à volta dele, entreguei-me por completo ao prazer de escrever, sem me preocupar, se isso iria ter ou não, algum interesse para alguém, o que importava é que o que eu sentia. Deixei-vos aqui imensos pedaços de mim espalhados ao acaso.
Penso ter chegado a hora de o deixar hibernar num sono eterno...
A todos aqueles que me têm acompanhado, desejo-vos um Feliz Natal onde o Amor vença o consumismo doentio e que o Ano de 2008 seja um excelente Ano para todos vocês.

2007-12-01

Irmão e Amigo Paulo

Raras são as vez que publico um texto sem imagens (desculpem-me sou uma amante da imagem, mas esqueci-me da máquina). O Padre Paulo Areias celebrou hoje uma festa, reunindo à sua volta vários amigos das variadas Paróquias onde exerce e exerceu o Sacerdócio.
No bar "Culto do Tempo" celebrámos a amizade, a dávida, a partilha. Num espaço encantador com o Faial como pano de fundo e uma imensidão de mar, vivemos uma tarde fantástica. Mais uma vez o Padre Paulo Areias mostrou-se, tal como é, um sobrevivente e um lutador (terás sempre o nosso apoio).
Não posso deixar passar este dia em "branco", todos juntos à volta de um pastor que conhece as suas ovelhas, celebrámos a vida, oferecemos vida, partilhámos vida, devemos ao Padre Padre Paulo Areias o significado daquilo que partilhámos, pois foi ele, que ao longo do tempo nos incutiu o espírito que hoje comungamos.
Felicidades e Parabéns Senhor Padre, destes amigos, que longe ou perto, não o esquecem.
Já agora se tiver fotos, por favor, mande-me.

2007-11-25

Noite luz..

O Sol deita-se de mansinho no mar. A lua vem beijá-lo devagarinho e aconchegá-o em lençois de espuma branca.
Tudo pára, o tempo deixa de existir, somos só nós a olhar o chegar da noite, não de trevas, mas de luz...
Olhamos o mesmo pôr-do-sol, a mesma lua que o beija e deixamo-nos viajar em pensamentos de amor, alguns só pensados, outros tantos vividos. Ali somos só nós e a natureza infinita que nos rodeia. Ali sou sereia em asas de vento norte e tu, bem tu, és o encantador de sereias que navega solitário...
Não necessito de dizer que te amo, porque amo-te tão simplesmente como o Sol adormece ou a lua nos embala. Não quero palavras, quero-te no silêncio, no suave murmurar das ondas a desfalecer de prazer nas pedras negras, na lua cheia que nos ilumina...
Quero-te hoje e sempre, quero viver os nossos sonhos a dois, o entrelaçar das mãos que nunca se gasta, o beijo/desejo murmurado baixinho... Quero-te sempre, nas asas das gaivotas, nos gritos oprimidos no peito, na razão sem razão para dar ou estar...
Quero-te, sem te querer meu, não te quero preso a mim, não te quero com obrigações ou falsos moralismos, quero-te livre assim, em asas de gaivotas, em mares desconhecidos, tempestades violentas, mar azul em acalmia de Verão... Quero-te tanto que chega a doer, dói a dor de não te ter perto de mim mesmo quando invades os meus pensamentos e só tu existes...
Olho o Sol a adormecer no mar e a lua a beijá-lo de mansinho.
Tu e eu deitamo-nos em noites de luz...

2007-11-16

Sonhei-te...

Ontem sonhei-te.

Estávamos de mãos entrelaçadas a olhar o mar, sem palavras, só as nossas mãos falavam em gritos de gaivotas que esvoaçavam. Não nos olhávamos, o nosso olhar perdia-se no infinito azul e a nossa alma vagueava nas pedras negras salpicadas de espuma branca.

Ontem sonhei-te. As nossas mãos diziam todas as palavras que saíam das nossas almas. Estávamos ali, perdidos no tempo e no espaço e amávamo-nos totalmente sem sequer nos tocarmos. Era pura sintonia.


Ontem sonhei-te, sabes a mar e a chocolate. És vento norte em que tudo esvoaça, até os meus beijos.


Ontem sonhei-te, olhávamos o mar e as nossas mãos entrelaçadas tocavam a mais bela melodia, era como se os nossos corpos se entregassem por completo fazendo um só corpo, uma só música que entoavam por nós.


Ontem sonhei-te. Hoje ao acordar as nossas mãos não estavam unidas e o nosso sonho voava nas asas das gaivotas e, cada um de nós, buscava um outro sonho...

2007-11-12

Vulcão adormecido...

"...vamos rebentar o vulcão adormecido da fé dos católicos do Pico..." esta frase é do meu melhor Amigo, que por acaso, ou não, até é Padre. Não vou fazer aqui uma Catequese. O meu blogue é de sentimentos, sensações, desejos descobertos, de vida e de Amor. E a fé? Será que não é por ter fé que consigo partilhar convosco aquilo que sinto e penso? Será que se não tivesse fé não me esconderia numa concha com medo do que a sociedade poderia dizer? Pensem vocês, eu estou aqui, sempre despida de preconceitos aceitando aquilo que vocês conseguem ler no que escrevo (infelizmente alguns só lêem o que querem e não aquilo que eu quero dizer, paciência...).
Não vos vou falar de Fé, embora eu ache que se não temos Fé, não temos nada (entendo por Fé, acreditar no ser humano, dar, apoiar, estar disponível para...).
Falemos dos verbos que quase não existem no nosso actual vocabulário: O verbo Dar e o verbo Amar, onde andarão estes verbos? Depois de pesquisar descobri que foram substituídos pelos verbos: Ter e Comprar, porquê? já explico...
Temos de ter uma boa casa, um bom carro, um bom computador (se possível melhores que os do vizinho), temos de viajar, temos que nos mostrar, temos que ter roupas de marca, temos de parecer aquilo que outros querem... temos de...
Compramos tudo no supermercado, até compramos emoções , amigos, amores e tempo (ou pensamos comprar). Compramos aos filhos o computador de topo de gama, a playstation, o melhor telemóvel, porque não inventámos tempo para conversar com eles, para entender os seus sonhos, para aceitar as suas dúvidas e opiniões, para dar carinho, esgotámos o nosso Amor e o acto de lhes dar algo nosso. Não sabemos dar tempo para Amar, para escutar, para dar a mão, para estar em silêncio lado-a-lado partilhando emoções e sentimentos, para dizer simplesmente: "Estou aqui".
Com fé ou sem fé é urgente reaprender os verbos Amar e Dar e esquecer na ânsia do tempo, o Ter e o Comprar, senão não vislumbro o caminho para aqueles a que ousámos dar a vida. Acredito, ou tenho Fé, que os Homens vão entender as diferenças e voltar a conjugar os verbos importantes.

2007-11-07

Verdes caminhos...

Voltei anos atrás! Desci estas escadas de pedra muitas vezes. Hoje, os limos tomam conta delas, já não se podem descer (outras de cimento, deram lugar a quem quer descer até ao mar). Ao olhá-las repensei uma série de coisas, na minha memória bailaram imensos pensamentos, vi e revi a minha vida e cheguei à conclusão que breve foi o momento entre o passado e o presente, demasiadamente breve, como um "piscar de olhos".
Hoje sei que não tenho respostas, só perguntas. Não tenho certezas, mas muitas dúvidas. Tenho alegrias e tristezas misturadas como cânticos antigos. Tenho lágrimas e sorrisos tal como o mar passa de calmo a tempestuoso. Continuo sem saber para onde vou, ou onde estou. Revejo-me nos limos verdes que tomaram conta das pedras, como tantas coisas tomaram conta dos meus dias, algumas tão pequeninas que não valeram o esforço que fiz para as viver, outras grandes, enormes diria, que me fizeram viver dias em segundos de breve instante. Não sei viver no cinzento! Não gosto do cinzento! Amo intensamente, vivo tudo intensamente, não sei navegar neste mar da vida de uma outra forma. Tenho de estar apaixonada pela vida, pelas pessoas, pelo trabalho, pelos livros que deixo na mesa de cabeceira em lista de espera.
Já não tenho idade de mudar. Por isso que importa as respostas que não sei, as dúvidas que nunca serão certezas, as alegrias e as tristezas, os sorrisos e as lágrimas que andam todos à mistura num furacão de sentidos, o nunca saber qual é o caminho, a mania de não perceber a partida e a chegada, que importa? Vivo num dilúvio de emoções e são elas que dão côr à minha vida.



(Azenhas do Mar - foto de José Luís Ferreira)