Hoje vagueio por esta estrada sem fim, sem saber se encontro o caminho que vai dar até ela...
(Foto: José Luís Ferreira)
Este é o meu espaço de pensamentos, emoções e sensações...
Fazes hoje 70 anos de uma vida vivida mais em função dos outros do que de ti... És uma excelente Mãe e a nossa maior Amiga. A cada passo que damos estás tu para nos apoiar, quando as lágrimas caiem são os teus braços que as limpam, quando os sorrisos brotam são os teus olhos que brilham de emoção... Conheces a nossa alma como mais ninguém, mesmo à distância consegues intuir o que sentimos.
No céu as cagarras esvoaçavam, enquanto a lua cheia beijava o céu... ao longe o som da guitarra entoando "Je T'aime... Moi Non Plus" de Jane Birkin & Serge Gainsbourg... nós de mãos dadas olhávamos o infinito, perdidos no sentido dos cheiros e da majestosa realidade que nos ultrapassava... Não falávamos, o silêncio dizia mil palavras e as nossas mãos procuravam unidas uma infinidade de significados... Abraçamo-nos... quietinhos com medo de acordar a magia que o tempo real nos tinha oferecido. Ficámos estagnados a olhar o dia que terminava dando lugar á mágica noite que se adivinhava... o mar cantava suavemente enquanto desfalecia nas pedras... a lua cheia adormecia, por fim, nos braços do mar... as árvores murmuravam palavras doces entre si... e nós?... "nós" voávamos nas asas de uma cagarra ao som de uma velha canção... ao encontro do Pico que nos acolhia no seu leito...




Já aqui disse que lido muito mal com a morte... com o desaparecimento de pessoas que Amo... Perdi uma AMIGA, alguém com quem vivi momentos únicos, que não se repetirão com mais ninguém porque cada ser, é um ser único.
Ao deslizar os dedos pelas teclas sinto-te como um piano que desliza em sons de palavras... já não te toco há tanto tempo, perdi-me algures na melancolia do vazio e no reboliço intenso por onde tenho navegado.
Quando as flores dão lugar aos maracujás e invadem de verde o meu pequeno jardim... quando o sol aquece o dia e, a noite, acorda de mansinho coberta de estrelas... quando o mar se transforma de cinzento em azul e verde... quando a minha montanha se descobre perante os olhares extasiados... quando a minha alma voa nas asas de uma cagarra... quando solto o beijo e ele roça os teus lábios ou face... quando abraço o vento que me toca o rosto levemente... quando acordo com um sorriso no olhar... quando estendo a mão e sinto uma mão amiga que espera a minha... quando as lágrimas caiem e as deixo soltas a escorrerem pelo rosto... quando o abraço apertado saí da minha alma ao encontro de outra... quando estou presente mesmo sem me dizerem para estar ali... quando ouço de mansinho a chuva tocada ao som de violinos inventados... quando sinto que estou mais além e ao mesmo tempo possuída pelo meu Pico... quando encontro a paz, depois da tormenta... quando sou eu, mesmo eu, sem me preocupar com o que pensam... quando me entrego por completo, deixo a paz invadir-me e de olhar perdido na montanha pergunto-me até quando??? quando? enquanto as nuvens forem de cetim e tiverem sabor a algodão doce...


No dia de Corpo por Deus é habitual um pequeno grupo de pessoas unir-se para fazerem os tapetes de flores na chamada Rua Direita da Vila. Cada vez somos menos, de ano para ano as pessoas vão desaparecendo e os que restam são constituídos por pessoas, já com alguma idade. Poucas são as pessoas das outras ruas da Vila que se disponibilizam para ajudar neste trabalho. Como se a Vila não fosse uma só.
A Mónica e o Mike sonharam e como dizia António Gedeão "...Quando um Homem sonha, o mundo pula e avança..." e avançou! Reuniram vários amigos e colegas e fizeram um espectáculo soberbo, um autêntico acto de cultura. Sem encenador, sem coreografo, sem professor de dança. Durante meses reuniram-se, trabalharam e mostraram que mais uma vez a Ilha do Pico tem um potencial cultural interessantíssimo. Para aqueles que dizem que vivemos no "fim do mundo", que estamos longe dos grandes centros culturais, musicais, cinematográficos, digo-vos que se conseguem fazer grandes "Obras" na Ilha do Pico... Certo é que somos desprezados pelos grandes meios populacionais, a televisão não fez um directo (nem sequer um apontamento), no entanto para os felizardos que tiveram o prazer de assistir a este espectáculo fica a esperança de novas repetições. Com poucos apoios estes jovens demonstraram que a "união faz a força" e o trabalho e esforço foram recompensados pela ovação que receberam no final...
Eu e a Inês queremos dizer o quanto a nossa Mãe é importante nos nossos caminhos. Isto é uma simples mensagem a quatro mãos.
Os blogs Ilhas do Mar da Nanda e o São Mateus 2005 da Sandra, nomearam o Devaneios para a Campanha de Amizade. Agradeço, mas não vou cumprir com as regras. Assim a minha nomeação vai para blogs de amigos reais e de amigos virtuais.

