Hoje sei que não tenho respostas, só perguntas. Não tenho certezas, mas muitas dúvidas. Tenho alegrias e tristezas misturadas como cânticos antigos. Tenho lágrimas e sorrisos tal como o mar passa de calmo a tempestuoso. Continuo sem saber para onde vou, ou onde estou. Revejo-me nos limos verdes que tomaram conta das pedras, como tantas coisas tomaram conta dos meus dias, algumas tão pequeninas que não valeram o esforço que fiz para as viver, outras grandes, enormes diria, que me fizeram viver dias em segundos de breve instante. Não sei viver no cinzento! Não gosto do cinzento! Amo intensamente, vivo tudo intensamente, não sei navegar neste mar da vida de uma outra forma. Tenho de estar apaixonada pela vida, pelas pessoas, pelo trabalho, pelos livros que deixo na mesa de cabeceira em lista de espera.
Já não tenho idade de mudar. Por isso que importa as respostas que não sei, as dúvidas que nunca serão certezas, as alegrias e as tristezas, os sorrisos e as lágrimas que andam todos à mistura num furacão de sentidos, o nunca saber qual é o caminho, a mania de não perceber a partida e a chegada, que importa? Vivo num dilúvio de emoções e são elas que dão côr à minha vida.
(Azenhas do Mar - foto de José Luís Ferreira)






