2007-11-07

Verdes caminhos...

Voltei anos atrás! Desci estas escadas de pedra muitas vezes. Hoje, os limos tomam conta delas, já não se podem descer (outras de cimento, deram lugar a quem quer descer até ao mar). Ao olhá-las repensei uma série de coisas, na minha memória bailaram imensos pensamentos, vi e revi a minha vida e cheguei à conclusão que breve foi o momento entre o passado e o presente, demasiadamente breve, como um "piscar de olhos".
Hoje sei que não tenho respostas, só perguntas. Não tenho certezas, mas muitas dúvidas. Tenho alegrias e tristezas misturadas como cânticos antigos. Tenho lágrimas e sorrisos tal como o mar passa de calmo a tempestuoso. Continuo sem saber para onde vou, ou onde estou. Revejo-me nos limos verdes que tomaram conta das pedras, como tantas coisas tomaram conta dos meus dias, algumas tão pequeninas que não valeram o esforço que fiz para as viver, outras grandes, enormes diria, que me fizeram viver dias em segundos de breve instante. Não sei viver no cinzento! Não gosto do cinzento! Amo intensamente, vivo tudo intensamente, não sei navegar neste mar da vida de uma outra forma. Tenho de estar apaixonada pela vida, pelas pessoas, pelo trabalho, pelos livros que deixo na mesa de cabeceira em lista de espera.
Já não tenho idade de mudar. Por isso que importa as respostas que não sei, as dúvidas que nunca serão certezas, as alegrias e as tristezas, os sorrisos e as lágrimas que andam todos à mistura num furacão de sentidos, o nunca saber qual é o caminho, a mania de não perceber a partida e a chegada, que importa? Vivo num dilúvio de emoções e são elas que dão côr à minha vida.



(Azenhas do Mar - foto de José Luís Ferreira)

2007-10-31

Em cantos de...

Poisam suavemente nas pedras, descansando do cansaço de longos voos, contam-lhes histórias de outros lugares. Olham o mar a quem chamam de Amigo e depois batem as asas em busca de alimento ou de outras margens. Perco-me a olhá-las, trazem no bico saudades das palavras e nas asas os anseios do meu sonho por alcançar e de tantos outros que realizei.
São livres, como livres deveriamos poder ser, sim nós os humanos, a quem foi dada a capacidade de pensar, de construir, de amar. Mas não! procuramos a mesquinhez, o matar, o dizer mal, o sorriso à desgraça dos outros. Isso não é ser livre é antes estar preso em grilhetas de uma sociedade que não consegue olhar o belo e perde-se no vazio dos sentimentos.
Elas, esvoaçam em bebedeiras de azul e espuma branca alcançando o paraíso que nós nem ousamos imaginar porque fechámos o coração e perdemos algures no espaço e no tempo a capacidade de nos darmos uns aos outros.
Sei que as gaivotas da Ericeira são iguais às gaivotas do meu Pico, sei que as cagarras(os) são iguais em qualquer sítio onde estejam e, infelizmente sei, que nós humanos somos iguais onde quer que estejámos.
Voo com as gaivotas e as cagarras, estou para além de mim e do todo e, quando volto ao meu lar, estou de novo aqui à procura das fantasias e sonhos que alguém me ensinou a Amar...


(Ericeira - foto de José Luís Ferreira)

2007-10-29

Para além de...

Ninguém sabe até onde nos levam os pensamentos, às vezes até nem nós próprios. Surgem ao acaso como o mar que se agita, a neblina que nos cerca, ou o luar que nos envolve. Perdi-me em mil pensamentos, busquei o Pico para além do horizonte e deixei-me enredar em sonhos de côr. Senti o cheiro a mar, esse mar que é presença constante na minha vida, senti o Pico, a minha montanha, como se ali estivessem prontos para ser tocados em sons de poesia ou acordes de mar revolto.
O que é estar longe? O que é estar perto? Não sei! Não procuro certezas ou realidades evidentes, vivo sempre num eterno trapézio. Procuro o quê afinal? Talvez procure o Amor em cada pedra, em cada onda, em cada luar, em cada ser que comigo se cruza, não sei, se calhar nem me interessa saber. Deleito-me à deriva em cheiros de mar, em luares de vida, em palavras ditas pelo olhar e outras tantas por dizer.
Encostada neste banco procurei o sentido ou o sem sentido dos meus dias.
Deixei-me voar! Para lá do horizonte tudo acontece...


(Ericeira 7 de Outubro - foto: José Luís Ferreira)

2007-09-30

Era uma vez...

Os contos da minha infância começavam sempre com: "Era uma vez..." e terminavam: "... e foram felizes para sempre!", vivi neste mundo de fantasia em que os maus eram castigados e os bons recompensados.
Hoje, olho o mundo e vejo-o de pernas para o ar. Os bons muitas vezes são penalizados e os maus vivem eternamente felizes. O que me deixa mais chocada é que passei a ideia do mundo maravilhoso aos meus filhos. Será que eles estão preparados para viver num mundo para o qual eu não os alertei? Será que vão aprender a defender-se das leis actuais de uma sociedade cada vez mais materialista? Não sei. Gostava de continuar no eterno sonho que tudo tem um final feliz.
Olho em volta e vejo cada vez mais miséria, mais pessoas sem abrigo, trabalho ou dignidade humana. Onde andarão os finais felizes das minhas histórias de criança?
Onde andarão os valores que me ensinaram a praticar? Onde andará o darmo-nos em vez de dar-mos? O que fazemos realmente em relação àquela pessoa que passa por nós? Será que sorrimos? Será que estendemos a mão? Ou será que viramos a cara e fingimos que ninguém por nós passou?
Os contos da minha infância já não são o que eram, nós já não nos pautamos pela dávida ao próximo, estamos indiferentes e preocupados com o "nosso umbigo", transformamo-nos em seres que vivem apenas para si e esquecem o seu semelhante. É triste, a sociedade em que vivemos transfomou-nos em gente fria e cega à dôr dos outros.
Vamos a tempo de mudar?Claro que vamos! Olhemos quem passa como se só o fizesse uma vez na nossa vida, estendamos a mão a quem dela necessita e, o sorriso? Sim o sorriso esse aquece corações e afugenta as mágoas.
"Era uma vez... e viveram felizes para sempre"

2007-09-19

Zeca Garro


Mais um livro para figurar nos livros da minha vida. Foi lançado dia 17, no Museu dos Baleeiros. Não tenho palavras para descrever o que senti ao ler este livro por isso deixo-vos com as palavras do Dr. António Felix Rodrigues (apresentador do livro) : "A história do Zeca é uma história infantil de homens e de cagarros que se encontram sem se aperceberem o quanto são parecidos, mas onde os seus corações lhes dizem que vale a pena respeitarem-se.

A história do Zeca é um conto para adultos que saibam ler nas entrelinhas".
Um livro que recomendo a crianças, adolescentes e adultos .
Já agora lanço um apelo, vem aí o Outono, os cagarros juvenis ficam para trás porque ainda não voam o suficiente para fazer a viagem, por isso atenção nas estradas, conduzam devagar. Se encontrarem um cagarro protejam-no, contactem os Serviços do Ambiente ou levem-no para casa e libertem-no na manhã seguinte junto ao mar. Eles regressarão novamente e de certeza que vos agradecerão.

Ajudem a salvar os cagarros...


2007-09-11

Alguns dos livros da minha vida...

Aceitando o desafio lançado pelo José Augusto Soares, aqui vai a lista de 10 dos livros da minha vida (muitos mais existem, mas vou-me cingir ao pedido):
- Poemas Completos de Alberto Caeiro;
- Sonetos de Florbela Espanca;
- Os Maias de Eça de Queiroz;
- África Minha de Karen Blixen;
- Amor em tempo de Coléra de Gabriel Garcia Marquez;
- Contos de Eva Luna de Isabel Allende;
- Vinte Poemas de Amor e uma Canção Deseperada de Pablo Neruda;
- Perfume de Patrick Suskind;
- O Carteiro de Pablo Neruda de António Skarmeta;
- Conversas com Deus de Neale Donald Walsch (pelas questões polémicas que levanta);

Cabe-me agora a mim escolher mais 5 nomes, como visito poucos blogs, terei de cingir-me à minha lista de bloguistas, aqui vai:
Fernanda Serpa - Ilhas do Mar;
Sandra Amaral - São Mateus 2005;
Xana - Os da Montanha;
Paulo - Cristão do Asfalto
e claro
José Augusto Soares - Castelete sempre.

2007-08-21

Aos Homens que choram...

Cresci numa sociedade extremamente machista, em que os homens para o serem, não podiam demonstrar emoções. Cresci ao lado de vários, que não se importando com esses padrões, sempre mostraram o que lhes ia na alma. Vi muitos chorarem, vi muitos comoverem-se, vi muitos deixarem fluir livremente o Amor que sentiam pelas pessoas.

Nunca pensei, no entanto, que chegando ao século XXI ainda existam "pesudo-machos" que usam a prepotência, a arrogância e a ideia que são os donos da companheira com quem vivem e se escondem numa carapaça de ferro onde as emoções são relegadas para o caixote de lixo. Confesso que não aprecio este "tipo de homem", que não viveria com alguém que não deixa brotar os sentimentos sem se importar com o que a sociedade pensa. Admiro os homens que são capazes de sentir, de dar-se, de emocionar-se, de chorar quando algo os toca. São estes que respeito.

A sociedade actual, mais aberta e consciente aceita as pessoas como o são, não diferencia o homem da mulher, ou seja, não padroniza. Claro que o homem será sempre diferente da mulher e a mulher do homem, é na diferença que se complementam, mas não no que respeita a sentimentos, aí todos somos iguais, ou sentimos ou não.

Aos homens que ousam mostrar emoções deixo o meu abraço.

2007-08-13

Partida...



Confesso que apesar de ser cristã lido mal com a morte, não com a minha porque sei que estou de passagem e a porta está sempre entreaberta, muito embora me preocupe se estarei ou não presente nos acontecimentos importantes da vida dos meus filhos. O que me magoa é ver aqueles com quem convivo diariamente e os que amo partirem, fico sempre sufocada e até as palavras me doem, geralmente nessas ocasiões o silêncio apodera-se de mim e, se fosse avestruz, acho que escondia a cabeça num buraco.



A verdade é que não lido bem com partidas, prefiro sempre as chegadas. A chegada é sinónimo de alegria, de festa e mesmo que os nossos olhos derramem lágrimas são sempre um conforto para a alma. A partida é quase sempre um momento de tristeza em que a alma fica dorida e as lágrimas não atenuam a dor, são apenas sinal de sofrimento.


Não acredito que nesta altura da minha vida aprenda a lidar com isto, estou demasiado velha para mudar emoções que fazem parte de mim intrinsecamente.


Sei que vou encontrar em Deus um pouco de paz, mas por enquanto estou triste, apenas e só isto, triste...



2007-08-08

Lágrimas...


Amor Meu, só te queria abraçar e limpar as tuas lágrimas com os meus beijos, não existem palavras para dizer-te o quanto te amo e como percebo o que estás a sentir. Julguei sempre que teria as palavras certas, nas horas certas para te consolar, mas não. Por isso deixa-me abraçar-te e fazer com que os teus olhos brilhem de novo de alegria.




Sabes um Amigo verdadeiro não nos obriga a escolhas, aceita-nos como nós somos. Na amizade verdadeira a única exigência que há é a de sermos amigos e isso implica apoiarmo-nos nas tristezas e rirmos nas alegrias, ficarmos felizes pelos sonhos que os amigos realizaram, pelas metas que atingiram, pelos amores que lhes fizeram bem e, se acabarem mal, o nosso ombro estará lá para os consolar.




Cada vez mais me convenço que a amizade se mede pelas alegrias que conseguimos partilhar, por desejarmos que o nosso Amigo seja feliz e, mesmo que as lágrimas aflorem aos nossos olhos, termos a capacidade de sorrir para eles e por eles.




Um Amigo verdadeiro não pode querer ser o único na nossa vida, não pode exigir que só sejamos dele ou que abdiquemos daquilo que amamos para estar com ele, se assim for, a sua amizade não é verdadeira. Ninguém é de ninguém e, temos que dar espaço aos que amamos para que eles possam seguir o seu caminho e crescer saudavelmente livres, só assim podemos ser amigos.




Pensa no que escrevi para ti e espero que estas palavras ajudem a curar as tuas lágrimas.




Amo-te como és, sem exigências.

2007-08-06

Infinitivamente Castelete...

Hoje ao mergulhar nas águas límpidas que te banham, deixei-me-voar. Voei livre em asas de sonhos e fantasias, de piratas ou sereias que ousamos inventar. As ondas arrastavam-me e eu deixava-me arrastar ao sabor da maré e do vento. Voei livre como se fosse uma gaivota ou uma cagarra em gritos de azul e vento. Lembrei-me de ti, não estavas lá para me ensinar a mergulhar ou desfrutar as ondas. Onde andas meu pássaro azul? Longe de mim e dos carinhos que desfrutamos naquele mar imenso. Onde andas meu cavaleiro andante? Não estavas lá e, com a maré cheia de gente, eu sentia-me só. Faltavas tu, só tu preenches os meus dias e as minhas noites, quando de mansinho, olhamos as estrelas e o luar.
Vem meu pássaro azul, vem meu cavaleiro andante, vamos mergulhar no infinito azul e de mansinho esperar que a lua nos banhe em desejos e segredos de amor...
Amanhã volto à rotina, o castelete permanece em mim, tu estás em mim. E, eu? Eu vou voar na asas das gaivotas ou das cagarras...até ti.

2007-08-04

Almoço de Bloguistas no Pico



Aceitando o desafio lançado pelo autor do casteletesempre, reunimo-nos no 1º andar do Restaurante Lagoa para um almoço convívio. Estiveram presentes os bloguistas assumidos casteletesempre, saomateus2005, ardemares, ilhasdomar, bordado demurmurios, devaneios e um comentador (felizmente não anónimo) Artur Xavier, bem como o Sr. Luís Monte.
Foi um excelente momento à volta da mesa com boa comida e vinho do nosso Pico, regado com ideias e vontade de fazer mais almoços destes. Para o ano contamos que mais bloguistas se unam a nós, que façam da blogosfera uma forma saudável de comunicar, partilhar ideias, debater assuntos sem receios e assumindo aquilo que pensamos. Será que é tão difícil dar a cara? É tão difícil assumir aquilo que pensamos? Penso que não, vivemos numa sociedade livre e um cidadão livre tem direito a expressar o que pensa e tem o dever de assumir aquilo que é.
Conto voltar a reunir-me com este grupo e venham mais, estamos abertos a todos aqueles que querem estar juntos neste mundo que é cada vez mais global. Obrigado casteletesempre. Obrigado a todos os que estiveram presentes.

2007-07-24

Pico, corpo de mulher...

Hoje ao olhar o Pico, veio-me à memória Pessoa e como sei que ele sabe melhor do que eu brincar com as palavras, aqui vai:


Dorme sobre o meu seio.
Sonhando de sonhar...

No teu olhar eu leio

Um lúbrico vagar.

Dorme no sonho de existir

E na ilusão de amar.


Tudo é nada, e tudo

Um sonho finge ser.

O 'spaço negro é mudo.

Dorme, e, ao adormecer,

Saibas do coração sorrir

Sorrisos de esquecer

Dorme sobre o meu seio,

Sem mágoa, nem amor...

No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.

(Cancioneiro - Dorme sobre o
meu Seio - Fernando Pessoa)


Depois disto olhem o Pico e deleitem o vosso olhar na magia do nada ou tudo... Eu cá por mim vou continuar a voar... E nas asas da viagem vou até Lisboa ao encontro de Pessoa...

2007-07-16

Nuvens de cetim...

As minhas nuvens são de cetim e sabem a algodão doce! Dirão alguns "são nuvens apenas", mas não, para mim são de cetim certamente, a lembrar a ternura dos abraços, a carícia dos beijos, a harmonia das palavras, a melodia das canções de embalar. Olhando-as divago livremente como as gaivotas que se enroscam nelas em voos de fantasia.

Sem dúvida alguma, as nuvens do céu do meu Pico, mesmo que cinzentas, são de cetim e sabem a algodão doce e nelas deixo embalar a minha alma inquieta e revejo-me em voos de ébrio azul em que as nossas mãos se tocam procurando alcançar o infinito do ser, do estar, do construír e amar.

Ontem entrelaçamo-nos em sabores de algodão doce e voámos em nuvens de cetim.

São de cetim as minhas nuvens, as nuvens que olhamos a dois em busca do tudo que preencha o vazio do nada.

2007-07-10

À Equipa de São Pedro...
















Uma mensagem que já tardava.


Depois de dois anos na equipa do Carlos Fernando, a quem envio o meu abraço, tive a honra de ser convidada para integrar a nova equipa da Associação da Irmandade de São Pedro. Uma equipa totalmente feminina que decidiu desde a primeira reunião dar uma nova dinâmica à festa do Município. Decidimos passar uma nova mensagem valorizando o São Pedro como Santo Popular e fazendo a festa em torno dele e não do Divino Espírito Santo.


O Divino Espírito Santo, que respeitamos, tem as suas festas próprias. A nossa tónica foi a de dignificar o São Pedro, transformar a festa em sua honra e louvor e desmarcá-lo da carga que lhe tinham imposto. Quebrámos algumas amarras e devolvemos a São Pedro o lugar que merece. Começámos no dia 28 com a verbena onde, para além de comidas e bebidas, tivemos vários grupos que, gratuitamente, se prontificaram a animar a nossa noite. Àqueles que gratuitamente nos ofereceram alimentos para confeccionar ou nos ajudaram a confeccioná-los, o nosso Obrigado.Garanto que ela só terminou às 2h da madrugada porque São Pedro, se calhar, achou que nós precisávamos de dormir umas escassas horas.


O dia 29 começou cedo, com a preparação do almoço para os irmãos. Mais uma vez um agradecimento àqueles que com a sua disponibilidade e saber estiveram na "linha da frente" para que o almoço e o habitual arroz doce fizessem as delícias de quem connosco partilhou este momento; sem estas pessoas nada seria possível.


Na hora da Procissão a chuva caiu e houve quem pensasse que a festa estava estragada. Mais uma vez São Pedro impôs a sua vontade e a Procissão realizou-se e a festa continuou com as Filarmónicas Liberdade Lajense e Lira Madalense (Sete Cidades) .


No dia 30 às 23h30m notava-se o nosso cansaço mas também a alegria de termos realizado aquilo que nos havíamos proposto.


Àqueles que acharam e disseram que uma equipa feminina ia ser um desastre, que iam haver quezílias e guerrinhas de mulher, informo que se enganaram, demo-nos todas muito bem. A quem nos disse até "pr'o ano" posso dizer que contem connosco, estaremos lá, com ideias novas e garra para continuar. Aos "nossos homens" o nosso abraço por terem acarinhado este projecto. À nossa equipa parabéns e o desejo que continuemos em força para o ano.

(Fotos de Helena Barreto)

2007-06-25

Voar...

Hoje apercebi-me que por andar tão ocupada estou a deixar para segundo plano as coisas que mais amo na vida. Não tive tempo para ir ver a minha filha tocar piano, já há três dias que não telefono aos meus pais e à minha irmã, já não telefono aos meus amigos para bebermos um café há imenso tempo, ou seja, estou tão cansada e com tantas coisas em mente que não tenho tempo para os que Amo e, para mim, então nem se fala. Hoje li a minha alma e com ela nua vi que ando a mil à hora, que cada vez que os meus filhos me perguntam uma coisa respondo: "o que é" em vez de lhes dizer "diz filho(a)". Tenho de parar. Adoraria tirar um ano sabático para só me dedicar àquilo que mais amo fazer: ser mãe, namorar mais com o meu companheiro, estar mais com os meus amigos, penso que será apenas um sonho, esta máquina que é a vida obriga-me a rodopiar loucamente em várias coisas. Falta-me tempo, necessito de tempo, preciso de fugir ao tempo. Tenho de voar, de me sentir liberta de amarras e deveres, quero ser gaivota que esvoaça livre ao sabor do vento ou cagarra que grita prenúncios de bom tempo. Quero ter tempo, para dar tempo áqueles que amo. Libertem-me as grilhetas que o que eu quero é voar...

2007-05-17

À minha Princesa...

A minha Princesa nasceu há treze anos. Completou o seu décimo terceiro aniversário no dia 13 de Maio. Nasceu numa Sexta-Feira, dia 13, dia que todos dizem ser de azar; para mim foi um dia lindo. Puseram-na em cima de mim assim que nasceu e eu senti uma comoção enorme, nada que ouse explicar, porque para tal não tenho palavras... Nasceu a minha Princesa e contrariamente a tudo e a todos, não lhe demos o nome de Fátima ousámos chamá-la Ana Inês, um
nome que lhe assenta tão bem - é voluntariosa, persistente e dona do seu nariz. Não há no mundo, de certeza, maior alegria e amor do que dar à luz um filho. Não me lembro de maior prazer do que ser mãe, se calhar até há, mas não para mim. Nasceu a minha Princesa, o que lhe desejo é que seja feliz na sua caminhada pela vida, que encontre as veredas certas e as siga. Parabéns Meu Doce Amor, estarei sempre aqui para te apoiar no que necessitares. AMO-TE.

2007-05-15

Uma flor para a Marisa...

O sorriso da Marisa apagou-se, ou será que perdurará para sempre no nosso coração? Nada acaba, no nosso coração tudo permanece. Doí tanto ver uma vida jovem perder-se nos braços da morte, parece que tudo se esgota, que nada vale a pena. É nestas alturas que pergunto o porquê de tantas guerras, de tantos ódios, de tanta mesquinhez? Afinal o que somos? Pó e alma, o pó em pó se transforma, a alma esvoaça livre nos braços de Deus. É aí que a Marisa está, junto ao Pai.
Continuas a sorrir Marisa...

2007-05-06

Brisa de sonho...

A minha alma vagueia inquietamente inquieta. Por isso deixo o pensamento voar nas asas do sonho. Olha a Montanha, a lua adormece por detrás dela e o mar fica salpicado de prateado. A vida esvai-se por entre os nossos dedos, como areia fina que não conseguimos segurar. Quando damos conta, o tempo passou, os filhos cresceram e os gestos de carinho perdem-se no ar como passo de mágica. Queremos voltar atrás, mas o tempo não retrocede e a vida não espera. Há tantas coisas que devia ter dito, há tantos carinhos que devia ter feito, há tanto amor a brotar do meu coração que deveria ter florido nas pessoas amadas, mas não, tudo ficou adiado à espera de um tempo para o qual não há tempo.
A brisa esvoaça no meu cabelo sinto-a como se fosses tu a acariciar-me, como se estivesses aqui em tempo real a tocar-me como aquela canção antiga. Sinto na boca o sabor a mar e revivo os teus beijos. Sinto-te em mim, como pérola que o mar afundou... Onde andarás cavaleiro andante de todos os meus sonhos? Buscas de certeza novos portos de abrigo, novas sensações, e eu? Eu fico aqui, aguardando os beijos que tardam em chegar, o abraço que nunca se deu ou a magia das palavras que nunca se disseram... Por isso deixo-me vaguear na espuma branca e procuro-te para além do infinito, porque nada acaba meu amor, tudo começa...

2007-04-22

Um Amor eterno...

Muitos amores se esgotam no tempo. O Amor entre Pais e Filhos e Filhos e Pais nunca morre é eterno. Os meus Pais serão sempre o meu porto de abrigo, quer nas tempestades da vida ou na bonança. Estes dois seres que me deram a vida são o complemento e o suplemento de todas as minhas horas, sejam elas boas ou más. Às vezes as palavras não conseguem transmitir todo o Amor que lhes devoto. Amo-os sim, aceitando as suas qualidades e os seus defeitos. Fazem parte do puzzle da minha vida. Por eles faço tudo e mesmo à distância a nossa relação é de uma cumplicidade infinita, de um Amor sem fim. Acompanharam-me nas horas boas e más, aceitaram-me com todos os meus defeitos e foram cúmplices em toda a minha caminhada. Separa-nos um oceano. O que é um oceano em termos de Amor? Nada! Amo-os incondicionalmente e aprendi a amá-los ainda mais depois de ter os meus filhos. Às vezes é necessário dizer NÃO e se na juventude não aceitamos muito bem isso, quando se chega à minha idade percebemos que um Não, às vezes, é a busca de um caminho melhor para nós. Não sei viver sem eles, sem a sua preocupação constante apesar de eu estar longe e já ter formado uma família. Com eles aprendi que os Filhos crescem mas que nós ficamos sempre preocupados com eles. Todas as decisões que tomei foram apoiadas por eles, em todos os caminhos que percorri tive-os a eles. Deixo-vos o meu Amor que será eterno, não enquanto dure, mas eterno para todo o sempre.

2007-04-08

Abraço

Um abraço é tudo, damo-nos e recebemos. Um abraço pode ser um feliz reencontro, um até breve, uma despedida para sempre ou um gesto de carinho a quem amamos. Um abraço diz tudo aquilo que as palavras não podem dizer e o que um beijo não sabe transmitir. Um abraço tira-nos os medos, as angústias e se fôr bem apertado traz-nos amor. Um abraço é um gesto de carinho a quem se ama é uma forma de dizer estou aqui, conta comigo, estarei sempre aqui. Abraço é deixarmos dois corações baterem no mesmo ritmo, é a nostalgia de não saber o amanhã, é amar para além do sabor das palavras. Abraço-te e sinto-te e ao sentir-te em mim, tudo se glorifica, tudo se eleva como nuvem que se perde no céu.