2007-08-13

Partida...



Confesso que apesar de ser cristã lido mal com a morte, não com a minha porque sei que estou de passagem e a porta está sempre entreaberta, muito embora me preocupe se estarei ou não presente nos acontecimentos importantes da vida dos meus filhos. O que me magoa é ver aqueles com quem convivo diariamente e os que amo partirem, fico sempre sufocada e até as palavras me doem, geralmente nessas ocasiões o silêncio apodera-se de mim e, se fosse avestruz, acho que escondia a cabeça num buraco.



A verdade é que não lido bem com partidas, prefiro sempre as chegadas. A chegada é sinónimo de alegria, de festa e mesmo que os nossos olhos derramem lágrimas são sempre um conforto para a alma. A partida é quase sempre um momento de tristeza em que a alma fica dorida e as lágrimas não atenuam a dor, são apenas sinal de sofrimento.


Não acredito que nesta altura da minha vida aprenda a lidar com isto, estou demasiado velha para mudar emoções que fazem parte de mim intrinsecamente.


Sei que vou encontrar em Deus um pouco de paz, mas por enquanto estou triste, apenas e só isto, triste...



2007-08-08

Lágrimas...


Amor Meu, só te queria abraçar e limpar as tuas lágrimas com os meus beijos, não existem palavras para dizer-te o quanto te amo e como percebo o que estás a sentir. Julguei sempre que teria as palavras certas, nas horas certas para te consolar, mas não. Por isso deixa-me abraçar-te e fazer com que os teus olhos brilhem de novo de alegria.




Sabes um Amigo verdadeiro não nos obriga a escolhas, aceita-nos como nós somos. Na amizade verdadeira a única exigência que há é a de sermos amigos e isso implica apoiarmo-nos nas tristezas e rirmos nas alegrias, ficarmos felizes pelos sonhos que os amigos realizaram, pelas metas que atingiram, pelos amores que lhes fizeram bem e, se acabarem mal, o nosso ombro estará lá para os consolar.




Cada vez mais me convenço que a amizade se mede pelas alegrias que conseguimos partilhar, por desejarmos que o nosso Amigo seja feliz e, mesmo que as lágrimas aflorem aos nossos olhos, termos a capacidade de sorrir para eles e por eles.




Um Amigo verdadeiro não pode querer ser o único na nossa vida, não pode exigir que só sejamos dele ou que abdiquemos daquilo que amamos para estar com ele, se assim for, a sua amizade não é verdadeira. Ninguém é de ninguém e, temos que dar espaço aos que amamos para que eles possam seguir o seu caminho e crescer saudavelmente livres, só assim podemos ser amigos.




Pensa no que escrevi para ti e espero que estas palavras ajudem a curar as tuas lágrimas.




Amo-te como és, sem exigências.

2007-08-06

Infinitivamente Castelete...

Hoje ao mergulhar nas águas límpidas que te banham, deixei-me-voar. Voei livre em asas de sonhos e fantasias, de piratas ou sereias que ousamos inventar. As ondas arrastavam-me e eu deixava-me arrastar ao sabor da maré e do vento. Voei livre como se fosse uma gaivota ou uma cagarra em gritos de azul e vento. Lembrei-me de ti, não estavas lá para me ensinar a mergulhar ou desfrutar as ondas. Onde andas meu pássaro azul? Longe de mim e dos carinhos que desfrutamos naquele mar imenso. Onde andas meu cavaleiro andante? Não estavas lá e, com a maré cheia de gente, eu sentia-me só. Faltavas tu, só tu preenches os meus dias e as minhas noites, quando de mansinho, olhamos as estrelas e o luar.
Vem meu pássaro azul, vem meu cavaleiro andante, vamos mergulhar no infinito azul e de mansinho esperar que a lua nos banhe em desejos e segredos de amor...
Amanhã volto à rotina, o castelete permanece em mim, tu estás em mim. E, eu? Eu vou voar na asas das gaivotas ou das cagarras...até ti.

2007-08-04

Almoço de Bloguistas no Pico



Aceitando o desafio lançado pelo autor do casteletesempre, reunimo-nos no 1º andar do Restaurante Lagoa para um almoço convívio. Estiveram presentes os bloguistas assumidos casteletesempre, saomateus2005, ardemares, ilhasdomar, bordado demurmurios, devaneios e um comentador (felizmente não anónimo) Artur Xavier, bem como o Sr. Luís Monte.
Foi um excelente momento à volta da mesa com boa comida e vinho do nosso Pico, regado com ideias e vontade de fazer mais almoços destes. Para o ano contamos que mais bloguistas se unam a nós, que façam da blogosfera uma forma saudável de comunicar, partilhar ideias, debater assuntos sem receios e assumindo aquilo que pensamos. Será que é tão difícil dar a cara? É tão difícil assumir aquilo que pensamos? Penso que não, vivemos numa sociedade livre e um cidadão livre tem direito a expressar o que pensa e tem o dever de assumir aquilo que é.
Conto voltar a reunir-me com este grupo e venham mais, estamos abertos a todos aqueles que querem estar juntos neste mundo que é cada vez mais global. Obrigado casteletesempre. Obrigado a todos os que estiveram presentes.

2007-07-24

Pico, corpo de mulher...

Hoje ao olhar o Pico, veio-me à memória Pessoa e como sei que ele sabe melhor do que eu brincar com as palavras, aqui vai:


Dorme sobre o meu seio.
Sonhando de sonhar...

No teu olhar eu leio

Um lúbrico vagar.

Dorme no sonho de existir

E na ilusão de amar.


Tudo é nada, e tudo

Um sonho finge ser.

O 'spaço negro é mudo.

Dorme, e, ao adormecer,

Saibas do coração sorrir

Sorrisos de esquecer

Dorme sobre o meu seio,

Sem mágoa, nem amor...

No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor.

(Cancioneiro - Dorme sobre o
meu Seio - Fernando Pessoa)


Depois disto olhem o Pico e deleitem o vosso olhar na magia do nada ou tudo... Eu cá por mim vou continuar a voar... E nas asas da viagem vou até Lisboa ao encontro de Pessoa...

2007-07-16

Nuvens de cetim...

As minhas nuvens são de cetim e sabem a algodão doce! Dirão alguns "são nuvens apenas", mas não, para mim são de cetim certamente, a lembrar a ternura dos abraços, a carícia dos beijos, a harmonia das palavras, a melodia das canções de embalar. Olhando-as divago livremente como as gaivotas que se enroscam nelas em voos de fantasia.

Sem dúvida alguma, as nuvens do céu do meu Pico, mesmo que cinzentas, são de cetim e sabem a algodão doce e nelas deixo embalar a minha alma inquieta e revejo-me em voos de ébrio azul em que as nossas mãos se tocam procurando alcançar o infinito do ser, do estar, do construír e amar.

Ontem entrelaçamo-nos em sabores de algodão doce e voámos em nuvens de cetim.

São de cetim as minhas nuvens, as nuvens que olhamos a dois em busca do tudo que preencha o vazio do nada.

2007-07-10

À Equipa de São Pedro...
















Uma mensagem que já tardava.


Depois de dois anos na equipa do Carlos Fernando, a quem envio o meu abraço, tive a honra de ser convidada para integrar a nova equipa da Associação da Irmandade de São Pedro. Uma equipa totalmente feminina que decidiu desde a primeira reunião dar uma nova dinâmica à festa do Município. Decidimos passar uma nova mensagem valorizando o São Pedro como Santo Popular e fazendo a festa em torno dele e não do Divino Espírito Santo.


O Divino Espírito Santo, que respeitamos, tem as suas festas próprias. A nossa tónica foi a de dignificar o São Pedro, transformar a festa em sua honra e louvor e desmarcá-lo da carga que lhe tinham imposto. Quebrámos algumas amarras e devolvemos a São Pedro o lugar que merece. Começámos no dia 28 com a verbena onde, para além de comidas e bebidas, tivemos vários grupos que, gratuitamente, se prontificaram a animar a nossa noite. Àqueles que gratuitamente nos ofereceram alimentos para confeccionar ou nos ajudaram a confeccioná-los, o nosso Obrigado.Garanto que ela só terminou às 2h da madrugada porque São Pedro, se calhar, achou que nós precisávamos de dormir umas escassas horas.


O dia 29 começou cedo, com a preparação do almoço para os irmãos. Mais uma vez um agradecimento àqueles que com a sua disponibilidade e saber estiveram na "linha da frente" para que o almoço e o habitual arroz doce fizessem as delícias de quem connosco partilhou este momento; sem estas pessoas nada seria possível.


Na hora da Procissão a chuva caiu e houve quem pensasse que a festa estava estragada. Mais uma vez São Pedro impôs a sua vontade e a Procissão realizou-se e a festa continuou com as Filarmónicas Liberdade Lajense e Lira Madalense (Sete Cidades) .


No dia 30 às 23h30m notava-se o nosso cansaço mas também a alegria de termos realizado aquilo que nos havíamos proposto.


Àqueles que acharam e disseram que uma equipa feminina ia ser um desastre, que iam haver quezílias e guerrinhas de mulher, informo que se enganaram, demo-nos todas muito bem. A quem nos disse até "pr'o ano" posso dizer que contem connosco, estaremos lá, com ideias novas e garra para continuar. Aos "nossos homens" o nosso abraço por terem acarinhado este projecto. À nossa equipa parabéns e o desejo que continuemos em força para o ano.

(Fotos de Helena Barreto)

2007-06-25

Voar...

Hoje apercebi-me que por andar tão ocupada estou a deixar para segundo plano as coisas que mais amo na vida. Não tive tempo para ir ver a minha filha tocar piano, já há três dias que não telefono aos meus pais e à minha irmã, já não telefono aos meus amigos para bebermos um café há imenso tempo, ou seja, estou tão cansada e com tantas coisas em mente que não tenho tempo para os que Amo e, para mim, então nem se fala. Hoje li a minha alma e com ela nua vi que ando a mil à hora, que cada vez que os meus filhos me perguntam uma coisa respondo: "o que é" em vez de lhes dizer "diz filho(a)". Tenho de parar. Adoraria tirar um ano sabático para só me dedicar àquilo que mais amo fazer: ser mãe, namorar mais com o meu companheiro, estar mais com os meus amigos, penso que será apenas um sonho, esta máquina que é a vida obriga-me a rodopiar loucamente em várias coisas. Falta-me tempo, necessito de tempo, preciso de fugir ao tempo. Tenho de voar, de me sentir liberta de amarras e deveres, quero ser gaivota que esvoaça livre ao sabor do vento ou cagarra que grita prenúncios de bom tempo. Quero ter tempo, para dar tempo áqueles que amo. Libertem-me as grilhetas que o que eu quero é voar...

2007-05-17

À minha Princesa...

A minha Princesa nasceu há treze anos. Completou o seu décimo terceiro aniversário no dia 13 de Maio. Nasceu numa Sexta-Feira, dia 13, dia que todos dizem ser de azar; para mim foi um dia lindo. Puseram-na em cima de mim assim que nasceu e eu senti uma comoção enorme, nada que ouse explicar, porque para tal não tenho palavras... Nasceu a minha Princesa e contrariamente a tudo e a todos, não lhe demos o nome de Fátima ousámos chamá-la Ana Inês, um
nome que lhe assenta tão bem - é voluntariosa, persistente e dona do seu nariz. Não há no mundo, de certeza, maior alegria e amor do que dar à luz um filho. Não me lembro de maior prazer do que ser mãe, se calhar até há, mas não para mim. Nasceu a minha Princesa, o que lhe desejo é que seja feliz na sua caminhada pela vida, que encontre as veredas certas e as siga. Parabéns Meu Doce Amor, estarei sempre aqui para te apoiar no que necessitares. AMO-TE.

2007-05-15

Uma flor para a Marisa...

O sorriso da Marisa apagou-se, ou será que perdurará para sempre no nosso coração? Nada acaba, no nosso coração tudo permanece. Doí tanto ver uma vida jovem perder-se nos braços da morte, parece que tudo se esgota, que nada vale a pena. É nestas alturas que pergunto o porquê de tantas guerras, de tantos ódios, de tanta mesquinhez? Afinal o que somos? Pó e alma, o pó em pó se transforma, a alma esvoaça livre nos braços de Deus. É aí que a Marisa está, junto ao Pai.
Continuas a sorrir Marisa...

2007-05-06

Brisa de sonho...

A minha alma vagueia inquietamente inquieta. Por isso deixo o pensamento voar nas asas do sonho. Olha a Montanha, a lua adormece por detrás dela e o mar fica salpicado de prateado. A vida esvai-se por entre os nossos dedos, como areia fina que não conseguimos segurar. Quando damos conta, o tempo passou, os filhos cresceram e os gestos de carinho perdem-se no ar como passo de mágica. Queremos voltar atrás, mas o tempo não retrocede e a vida não espera. Há tantas coisas que devia ter dito, há tantos carinhos que devia ter feito, há tanto amor a brotar do meu coração que deveria ter florido nas pessoas amadas, mas não, tudo ficou adiado à espera de um tempo para o qual não há tempo.
A brisa esvoaça no meu cabelo sinto-a como se fosses tu a acariciar-me, como se estivesses aqui em tempo real a tocar-me como aquela canção antiga. Sinto na boca o sabor a mar e revivo os teus beijos. Sinto-te em mim, como pérola que o mar afundou... Onde andarás cavaleiro andante de todos os meus sonhos? Buscas de certeza novos portos de abrigo, novas sensações, e eu? Eu fico aqui, aguardando os beijos que tardam em chegar, o abraço que nunca se deu ou a magia das palavras que nunca se disseram... Por isso deixo-me vaguear na espuma branca e procuro-te para além do infinito, porque nada acaba meu amor, tudo começa...

2007-04-22

Um Amor eterno...

Muitos amores se esgotam no tempo. O Amor entre Pais e Filhos e Filhos e Pais nunca morre é eterno. Os meus Pais serão sempre o meu porto de abrigo, quer nas tempestades da vida ou na bonança. Estes dois seres que me deram a vida são o complemento e o suplemento de todas as minhas horas, sejam elas boas ou más. Às vezes as palavras não conseguem transmitir todo o Amor que lhes devoto. Amo-os sim, aceitando as suas qualidades e os seus defeitos. Fazem parte do puzzle da minha vida. Por eles faço tudo e mesmo à distância a nossa relação é de uma cumplicidade infinita, de um Amor sem fim. Acompanharam-me nas horas boas e más, aceitaram-me com todos os meus defeitos e foram cúmplices em toda a minha caminhada. Separa-nos um oceano. O que é um oceano em termos de Amor? Nada! Amo-os incondicionalmente e aprendi a amá-los ainda mais depois de ter os meus filhos. Às vezes é necessário dizer NÃO e se na juventude não aceitamos muito bem isso, quando se chega à minha idade percebemos que um Não, às vezes, é a busca de um caminho melhor para nós. Não sei viver sem eles, sem a sua preocupação constante apesar de eu estar longe e já ter formado uma família. Com eles aprendi que os Filhos crescem mas que nós ficamos sempre preocupados com eles. Todas as decisões que tomei foram apoiadas por eles, em todos os caminhos que percorri tive-os a eles. Deixo-vos o meu Amor que será eterno, não enquanto dure, mas eterno para todo o sempre.

2007-04-08

Abraço

Um abraço é tudo, damo-nos e recebemos. Um abraço pode ser um feliz reencontro, um até breve, uma despedida para sempre ou um gesto de carinho a quem amamos. Um abraço diz tudo aquilo que as palavras não podem dizer e o que um beijo não sabe transmitir. Um abraço tira-nos os medos, as angústias e se fôr bem apertado traz-nos amor. Um abraço é um gesto de carinho a quem se ama é uma forma de dizer estou aqui, conta comigo, estarei sempre aqui. Abraço é deixarmos dois corações baterem no mesmo ritmo, é a nostalgia de não saber o amanhã, é amar para além do sabor das palavras. Abraço-te e sinto-te e ao sentir-te em mim, tudo se glorifica, tudo se eleva como nuvem que se perde no céu.

2007-03-25

Como a música...

O tempo parou. Lá fora nada existe, só nós dois aqui, entregando-nos de corpo e alma ao momento presente. Tu e eu sussurando conversas que mais ninguém pode ouvir. É o nosso momento. O minuto seguinte, o dia de amanhã não existe, só existimos os dois. Encosto a cabeça ao teu peito e ouço dois corações, talvez, batento na mesma dimensão. Lá fora tudo vagueia em ondas de mar beijando pedras negras enfeitiçadas pelo Pico. Nós, continuamos aqui, lançado ternura e magia, numa entrega que está para além das palavras. O amanhã há-de nascer e talvez a magia se tenha perdido, não importa! O que importa é este momento em que tu e eu somos um só. Acaricias o meu cabelo e procuras a minha alma e, ali estou eu, de alma aberta e livre entregando-me a ti. Lá ao fundo o Pico é uma presença neste tempo que tirámos para nos entregar de corpo e alma ao sabor da vida.
Tal como Pessoa dizia:
Sim, como a música, sugere
O que na música não 'stá
Meu coração mais quer
Que a melódia que em ti há...
Amar-me? Quem crerá? Fala
Na mesma voz que nada diz
Se és música que embala.
Eu ouço, ignoro, e sou feliz.
Nem há felicidade falsa.
Enquanto dura é verdadeira.
Que importa o que a verdade exalça
Se sou feliz desta maneira?
(Fernando Pessoa - Poesias inéditas)

2007-03-23

Gostar ou Amar...

A palavra gostar para mim lembra-me sempre uma comida, uma bebida, uma peça de vestuário, as flores que recebo sobretudo se forem amarelas. Amar é diferente. Eu Amo pessoas. Os meus filhos num Amor incondicional que não tem príncipio e fim; o meu companheiro amo-o duplamente porque é o homem que escolhi para a minha caminhada de vida e porque é o pai dos meus filhos (que foram concebidos num acto de Amor total); os meus Pais que me deram a vida e me apoiaram até nas decisões mais difíceis; a minha irmã com quem falo de tudo sem ter paraísos secretos; os meus amigos (só os que merecem esta palavra) a quem me dou integralmente e que me amparam nas quedas e quando os sorrisos me iluminam o rosto. Amar não é um sentimento só entre um homem e mulher é um sentimento de partilha e de entrega que se oferece àqueles que estão no nosso coração. Por isso amo incondicionalmente, sem barreiras, amarras ou preconceitos. Amo e dou-me intensamente em cada gesto, em cada palavra, em cada sorriso ou lágrima. Por isto tudo, nesta minha passagem na vida, sintam o meu sorriso, as minhas lágrimas, porque o meu AMOR é vosso, como rajada de vento norte beijando de passagem as flores da vossa alma...

2007-03-15

Nas asas do tempo...

Por causa dos comentários de um "amigo antigo" vieram-me à memória pessoas importantes na minha vida que não fazem parte deste meu tempo presente.
O meu avô paterno, que do alto do seu 1,80m, só emanava ternura e carinho (foi ele que me ensinou a ler e a escrever, ainda eu não tinha entrado para a Primária);
A minha avó paterna, pequenina, franzina e de um dinamismo fora de série que impunha respeito ao marido e aos quatro filhos que tiveram;
O meu avô materno, um homem dócil que escondia dos meus pais as minhas diabruras e algumas das quedas que eu dava porque decidia constantemente trepar às oliveiras;
A Dª Ana, mãe do meu companheiro (desculpem a palavra sogra soa-me sempre a uma conotação negativa), que com a sua difícil vivência me ensinou a amar mais e mais e aproveitar o momento presente. Estes já partiram, o tempo só os traz até mim na memória.
A minha grande amiga Teresa, andavámos sempre juntas, sabiamos quase tudo uma da outra (nunca se sabe tudo realmente de ninguém), mesmo depois de eu estar no Pico ainda nos escrevemos durante longos anos. Agora não sei nas voltas da vida por onde anda, se calhar procura o tempo perdido;
O Emanuel, doce e calmo que me limpou muitas lágrimas que nunca foi ele que causou. Ainda hoje tenho em casa dos meus pais o retrato a carvão que de mim fez. Perdi-o neste ritmo sucessivo de tempo que teima em não parar;
O Fernando Gil, de viola ao ombro e bloco de desenho na mão. Acredito que ainda hoje viaja nos acordes da vida com a sua viola e com o bloco de papel branco pronto a desenhar. Não o sei só imagino.
Para eles envio o meu carinho e, se por acaso, me lerem dêem notícias. Às vezes o passado e o presente andam de mãos dadas...

2007-03-12

Mas que três...

Vivemos a maior parte do nosso dia-a-dia, diria mesmo da nossa vida, no local onde trabalhamos. Por isso devemos tentar ter uma relação saudável com aqueles com quem convivemos várias horas diárias. O Grupo do Museu do Pico tem apenas 13 elementos e divide-se pelos três pólos: "Museu dos Baleeiros", "Museu da Indústria Baleeira" e "Museu do Vinho". A minha paixão é o Museu dos Baleeiros (ainda sou despedida por causa disto, mas é a verdade). Procuramos viver o dia-a-dia num ambiente de camaradagem.
Para os mais conservadores tenho de referir que o conteúdo da garrafa que a Lauri tem na mão, não foi só ela que o bebeu, eu e o Rui também demos uma ajuda. Esta foto foi tirada fora das horas de serviço e em clima de festa de natal de 2006. Dentro do serviço somos todos muito certinhos.
Quando tiver uma foto dos 13 prometo publicar, ao publicar esta não me veio ao pensamento excluir ninguém, apenas é a única que tenho.

2007-03-11

o fim ou o princípio...


Olho o sol a deitar-se de mansinho nos braços do mar... deito a minha cabeça no teu colo e fico ali quietinha. Tenho até medo que os minutos nos ouçam e a magia se perca. Sinto o calor do teu corpo e o teu cheiro entranha-se na minha alma, o tempo pára, nada se agita, só o som dos nossos corações a bater e as suaves carícias que trocamos acompanham o ondular das ondas. Nada mais existe para além de nós e da noite que se anuncia. Ao longe ouve-se o rumor do mar cantando canções de amor às negras pedras que o rodeiam...
Eu continuo deitada no teu colo e em mim todas as emoções se perdem no carinho dos teus sussuros. Olho a noite a chegar e pergunto-me se é o fim ou o princípio? De quê? Que importa! Lá fora o dia adormece e a minha cabeça no teu colo vagueia como alma vagabunda na busca dos sentidos...



(Foto: João Pedro)

2007-03-10

Sentimentos...



Três gerações diferentes, um sentimento comum: A Amizade. Numa sociedade materialista e fria é cada vez mais difícil ter amigos, amigos daqueles verdadeiros que nos enchem a alma com carinho, cumplicidade e ternura. Tenho a sorte de ser Amiga destes dois. A Dª Alice, uma Senhora que com 82 anos está muito "à frente" das mentalidades bolorentas de alguns da sua idade e até mais novos. O Paulo, "o meu irmão mais novo", é de uma irreverência doce e peculiar, foge a todos os convencionalismos, é um ser humano fora do comum, talvez por isso incomode alguns que só conseguem ver o exterior. Eu tenho a sorte de ler-lhe a alma. Une-nos um forte sentimento que muito poucos conseguem compreender, essencialmente aqueles que não conseguem deixar os sentidos perdidos na alma e o coração voar livre nas suas emoções. Os olhares dizem mais que mil palavras, eles são o reflexo do que nos vai dentro do peito. Obrigado por existirem.


(Fotos: Helena Barreto (minha casa 9-03-2007)

2007-03-05

Para ti Bola Maria...

Não posso olhar-te e ver-te parada e doente. Dentro de mim tudo me dói, as lágrimas teimam em cair, não suporto ver-te assim. Que falta sinto de te ouvir miar quando chegava a casa para te dar comida, de te ver correr pelo quintal e trepar a videira. Estás ali quietinha, quando chamo por ti olhas-me com um olhar triste, como quem diz: "O que fizeste?" sim fui eu que te levei para seres operada, fui eu que estive contigo, mas tu não entendes o porquê. Fiz tudo para não teres de sofrer e agora vejo-te triste e em sofrimento. Não sei o que possa fazer Bola Maria, eu tentei o melhor para ti, nunca pensei que ia causar-te tanta dôr. Sabes o quanto te amo, conheces-me muito bem, aliás quando venho chateada do Museu, tu nem sequer mias, passas por mim de mansinho e ficas sentada à espera. À espera de quê? De que eu te dê comer, atenção e te faça uma festa. És mesmo importante para mim e não lamento dizê-lo de que o és muito mais que muitas das pessoas com eu me cruzo na vida. Luta Bola Maria, luta pela vida, quero que continues a fazer parte da nossa família. Entraste na nossa vida porque o João Pedro queria um gatinho, foste encontrada na rua sem dono há quase oito anos, a partir daí fazes parte de nós, és um membro da família e todos nós te adoramos. Acredito que vais vencer esta batalha, preciso que venças esta batalha, sem ti a minha vida fica mais vazia.

2007-02-27

Sem razão de ser...

Para ti Amiga que vivemos momentos de muitas lágrimas derramadas e de sorrisos cúmplices. Para ti que conheço para além das palavras que dizes.
Para ti envio este pôr-de-sol para que saibas que estou contigo mesmo nos silêncios, nos dias de sol radioso e nos de chuva intensa. Estou contigo, compreendo o que te vai na alma e desejo dar-lhe um pouco de tranquilidade. Sei que não és uma alma inquieta como eu, levas a vida fechando-te no silêncio de ser e sentir, sinto que te faltou amor e essa falta é uma ferida no tempo presente. Tens medo de te dar, de entregar-te de corpo e alma às emoções da vida, ao seu sofrimento e à forma de dar a "volta por cima". Admira este pôr-do-sol, deixa a tua alma vaguear no verde Pico e no azul celeste beijado pelo azul mar. Estarei aqui para te estender a mão, não te feches na concha da indiferença, dá-me também a tua mão. O passado já não existe, a mágoa que nos marcou perdeu-se no vento, o que importa é o hoje. E hoje eu estou aqui para te dar o meu carinho e enviar-te o meu beijo de ternura. Só vale a pena viver quando aprendermos a caminhar com as mágoas do passado e com as alegrias do presente. Sê feliz. Eu estarei sempre aqui...

2007-02-25

"Paparazzi" atento...

Nada melhor que repousar no colo do companheiro depois de uma noite de dança. Já nem sei que horas eram, que importa! O tempo existe mesmo? Sei que me senti em casa. O colo do meu companheiro de vinte e um anos de estrada continua a ser o meu "porto de abrigo", nada melhor que depois de rodopiar pela sala encontrar o seu colo e o seu abraço para me sentir de novo em casa. São vinte e um anos de caminhada lado-a-lado, de sorrisos como estes e de algumas lágrimas derramadas, de uma vida completa que se revê nos nossos filhos.
A foto dispensa mais palavras.
Obrigado José Gabriel Azevedo (autor da foto) pelo momento que conseguiste captar.

2007-02-24

Não encerrei a página...

É deste espaço que escrevo, com o Pico ao fundo e o mar a bater nas rochas.
Ao saber que o meu blog tinha extravasado a esfera dos amigos pessoais e estava a ser alvo de maldicência e sarcasmo de alguns, optei por excluí-lo. Depois de ouvir as ideias, sempre ponderadas, do meu companheiro optei por deixá-lo circular. Quem gosta lê, quem não gosta tem um excelente remédio não volta a este espaço.
Sempre pautei a minha vida por aquilo que eu penso e não por aquilo que os outros pensam de mim,
Ao criar o "Devaneios" (que está devidamente identificado, basta um rápido olhar pelas fotos que contém) decidi que seria um espaço de pensamentos e emoções. E é isso que é, não permito comentários maldosos sobre ninguém, nem sequer procuro debater problemas sociais e políticos. Nas poucas intervenções que fiz noutros blogs desse teor, assumi-me sempre enquanto cidadã sem ocultar o meu nome e aceitando opiniões divergentes. Vivemos numa sociedade democrática, logo, a minha liberdade termina onde começa a de outras pessoas assim como a dos outros deve terminar quando começa a minha.

2007-02-19

Sabes a mar...

Olho o mar e lembro-me de ti. Sabes a mar e a chocolate. Cheiras a verde Pico em noites de Verão.
Perco-me no acaso da bruma que se agita e ouço o sussuro da tua voz chamando por mim e eu lentamente vou até ti...
Nada mais existe para além do verde e do azul que se completam em plena harmonia, tal como nós...
Voas livre em acordes de vento norte e ao passares por mim, o teu beijo talvez enviado, toca-me suavemente o rosto numa carícia que nenhum tempo apaga...
Enquanto o mar se deleita em trovas de espuma branca e as gaivotas esvoaçam, o meu pensamento vai para ti e encontro-te sempre presente, mesmo ausente estás aqui... E assim deixo-me voar em busca dos sentidos, porque esses ninguém me pode roubar...

2007-02-17

Elo mais forte 3

Para quem leu as minhas postagens anteriores, sabe que estou a falar do Júlio Afonso. Parece que nasceu ontem, mas não, está enorme, fala imenso e é dono de uma forte personalidade. Quer fazer tudo sózinho. Deixa o grupo todo "derretido" por ele. É o nosso centro de atenções.
Será o nosso futuro, caso a vida nos ofereça a oportunidade de o ver crescer e formar o seu próprio caminho.
Não tenho dúvidas que se afirmará e que terá decisões muito próprias indo se calhar contra a vontade dos pais. Nós, só lançamos as sementes, criamos os valores, eles escolhem os caminhos que trilham...
Ao olhá-lo lembro-me da frase de Massilon " A inocência está sempre rodeada do seu próprio brilho".
Ao Júlio Afonso desejo que cresça saudável, feliz e consciente das opções que tomar.
Um abraço forte e que a tua vida seja um eterno arco-íris...





(Foto: minha - Restaurante Lavrador - 19 de Janeiro de 2007)

2007-02-16

Carnaval...


Diz o velho ditado "Que a vida são dois dias e o Carnaval três". Mais uma vez as ruas das Lajes encheram-se de côr, fantasia, música e alegria.
Talvez seja tempo das pessoas tirarem as máscaras e mostrarem-se, debaixo das fantasias, como são na realidade.
Vamos viver estes dias de alegria, embora a alegria deva ser uma constante no nosso dia-a-dia. Não custa nada dar um sorriso a quem passa. Quem sabe se o nosso sorriso não vai alegrar a vida de alguém.
Que bom seria que a côr e a fantasia fossem o norte de todos os nossos dias. Que bom seria viver intensamente um dia de cada vez. Amar e darmo-nos como se não houvesse mais espaço ou tempo. Que bom seria ver as Lajes sempre em constante animação, sem o cinzentismo com que alguns a pintam. As Lajes são o verde da montanha, o azul do mar e as mil cores que vêm da nossas almas. Façamos do Carnaval 365 ou 366 dias.
Divirtam-se mas sem excessos.
Bom Carnaval.

2007-02-13

Memórias...

Olho o Pico de branco coberto. À memória o passado e o presente cruzam-se por segundos, de mãos dadas.
Nunca consegui viver a minha vida por metades, tudo o que vivi fi-lo tão intensamente que por vezes a minha alma ficou inevitavelmente magoada, noutras desfrutei totalmente a alegria.
Amo, entrego-me, choro, sou feliz ou infeliz intensamente, nada no meu percurso fica pelo meio-termo. Esqueço-me talvez que entre o branco e o preto existe o cinzento... paciência! Só sei viver assim... É neste compasso de entrega no qual vou vivendo o meu dia-a-dia que me pergunto se valerá a pena? Valerá a pena amar de forma total? Valerá a pena entregar-me sem reservas? Às vezes penso que não, outras deleito-me com a imagem de uma vida vivida tão intensamente que nada foi deixado em vão... E assim deixo o olhar perdido no Pico e as perguntas sem resposta bailham na espuma branca que o beija de mansinho.

2007-02-05

Não há tempo...

Olho o entardecer, as nuvens abraçam o céu. Dentro de mim ouço o sussuro da tua voz em batidas de tempo presente: "Não há tempo". Quantas vezes envolvidos nas teias do dia-a-dia não arranjamos tempo para dizer que amamos aqueles que são importantes para nós, quantas vezes o beijo fica só preso no desejo e não se dá, quantas vezes o abraço de carinho fica adiado para amanhã. Pois é Amigos arranjamos tempo para tudo, esquecemo-nos quase sempre do essencial, tirar tempo para Amar e demonstrar Amor, dar mil beijos em vez de um, ficar quietos no abraço que nos queima a alma. Depois, quando nos apercebemos que não há mesmo tempo, é tarde para voltar atrás. O que fizeres hoje existe, se deixas para amanhã poderá nunca existir. Por isso Ama como se fosse o último dia, distribui os teus beijos como se eles pudessem evaporar-se e abraça como se só houvesse este momento. Nunca digas Não há tempo, vive o tempo.

2007-01-29

Espuma Branca...

O meu pensamento tem voado para longe de ti, estou completamente absorvida por tantas coisas que as minhas mãos não têm tempo para acariciar as letras do teu teclado e expressar o que me vai na alma.
Olho o mar, este mar que me fascina e embriaga e vejo a espuma branca desmaiar de prazer nos braços do "velho forte". Olho o verde mesclado de vida e entrego-me em sonhos e devaneios. Sinto a vida a brotar neste azul e verde e esqueço-me por completo de tudo o resto que me rodeia. Nada mais importa senão os gritos de ternura que saiem de mim e que chegam em sussuro até ti. Completamente enamorada, entrego-me no azul do mar e com os olhos postos em verde esperança entro devagarinho no teu coração e, assim de mansinho, ficamos parados a olhar para além daquilo que vemos, para além daquilo que somos e nada nos resta senão a espuma branca que desmaia de prazer nos braços do "velho forte"...


(foto: minha - 29-01-2007)

2007-01-06

Luz mágica...

Depois de uma viagem atribulada estou de volta ao Pico. Voltei a ouvir o mar bater nas rochas e enchi o meu olhar de verde... Lisboa ficou dentro de mim, em luzes de magia eterna, com os seus pregões e o cheiro das castanhas assadas. Volto de novo à pacatez da Vila e o meu olhar volta atrás e perco-me por entre as ruas cobertas de luz da minha velha Lisboa, entrego-me ao anonimato e sinto-me completamente livre como pássaro que voa sem destino... Este é o encanto de Lisboa... o poder perder-me sem necessidade ou hora de me encontrar...
Sinto em mim o sabor da comida feita pela minha mãe, as tertúlias no aconchego da lareira, os dias que voam sem eu os poder parar... As lágrimas na despedida, apesar de sabermos que estamos sempre juntos, mesmo com o oceano a bailar pelo meio...
Tudo estaria no lugar certo, desde que a minha alma inquieta me deixasse sossegar, mas não!por isso estou eternamente dividida, estou aqui com a mente presa a Lisboa, estou em Lisboa com o pensamento preso no Pico... Não sei de onde sou ou para onde vou, não sei onde pertenço ou se pertenço a coisa alguma... Não sei, se calhar estarei vagueando eternamente em busca de mim, se calhar nunca me encontrarei... Não importa. Talvez um dia eu descubra o meu porto de abrigo e então a minha alma se aquiete.


(Foto: José Luís Ferreira)

2006-10-18

Danças de luz...

As estrelas iluminam o céu em danças de luz e côr. De mansinho abro a janela e nas asas do vento envio-te o beijo. Sinto o cheiro do mar que suavemente vem até mim. Tu também cheiras a mar, a espuma branca que se desfaz nas negras pedras…. Dentro de mim tudo se agita como tocada ao de leve pelo rumor do vento. Deixo a minha alma inquietamente inquieta pairar no azul céu…não a prendo, deixo-a livremente a esvoaçar no nada, em busca do tudo. Lá fora as estrelas iluminam a noite, de mansinho fecho a janela e adormeço nos braços de um outro luar…









(Foto: minha - 18 de Outubro de 2006)

2006-10-05

Sonhos de Lua...

Olho a lua abraçada pelas nuvens e o meu pensamento voa para ti. Sinto-te presente nos meus sonhos. Sinto-te, neste tempo que tirámos, sem tempo para o viver. Anseio-te em mim. Entrego-me nos braços da noite e revisito a nossa história, ouço as tuas palavras sussurradas em murmúrios, como se mais alguém as ouvisse, lhes pudesse tirar o sentido... Revejo os teus lábios perdidos nos meus, em dois corpos que se entregavam sem nada pedir, numa dança jamais imaginada... Estou presa a ti, nesta prisão sem grilhetas e amarras que é a minha alma. Nunca entendeste que não te queria preso, sempre desejei que voasses livre nas asas do vento, a única prisão onde te queria era a do meu coração, que ficasses assim dentro de mim nas minhas emoções recheadas a chocolate... Partiste sem dizer adeus ou até logo. Voaste para uma dimensão que a minha alma inquieta não alcança, estás para além de mim. Olho a lua mágica, sinto o cheiro do mar e o meu pensamento voa para ti, estendo a minha mão e não te consigo tocar, lanço o beijo e os nossos lábios já não se tocam, entrego o meu corpo no vazio do teu... As lágrimas escorrem pelo meu rosto e desaguam na minha alma. Procuro-te e já não estás aqui, perdemo-nos neste tempo que tirámos, sem tempo para o viver...


(Foto: minha - 30 de Setembro de 2006)

2006-09-13

Cavaleiro Andante...

Ontem eras cavaleiro andante nas asas do meu sentir; galopavas nas ondas do meu pensamento. Ontem eras poeta dos meus sentidos em métrica de espuma branca, dessa espuma que são beijos com que o mar acaricia o Pico. Ontem perdemo-nos em desejos e gemidos de cagarras em noites de azul céu. Ontem revisitei-te como lua cheia a desmaiar de contentamento no corpo de mulher que o Pico desenha. Ontem abri-te a janela da minha alma e com os olhos perdidos no Pico encontrei-te na voz do cantador. Ontem entregámo-nos em corpos e almas que se desnudam de preconceitos nas asas do meu sonhar. Ontem eras pássaro embalado em trovas de vento norte que as minhas mãos procuravam alcançar. Ontem perdemo-nos no passado mágico de um presente que não se faz futuro. Ontem entrelaçámos as mãos e em palavras sussuradas por entre beijos acalmavas a minha alma inquieta. Ontem eras o herói da minha infância que renascia das cinzas do tempo... Ontem já passou e hoje de novo sózinha busco na minha lembrança a quietude para as tempestades deste mar, que é a vida... Hoje estendo a mão e não te encontro, estás para além do tempo e de cada luar... Guardo-te em sonhos de caixinhas forradas a mel, esperando voltar a reencontrar-te algures no meu pensamento...

(Foto: minha- Maré Julho de 2006)

2006-08-28

Fiz-te Poema...

Hoje fiz-te poema, desses que rimam ao encontro das emoções ou sensações. Hoje fiz-te poema sem rima de métrica certa. Hoje fiz-te poema nos meus sentidos, em sensações à flor-da-pele. Hoje fiz-te poema em desejos e sentidos, no corpo que toco mesmo às escuras pois conheço-o totalmente. Hoje fiz-te poema em beijos de espuma branca que desmaiam de desejo nos braços do Castelete. Hoje, de ti fiz poema em cantigas murmuradas a dois, em desejos que nos ultrapassam. Hoje fiz-te poema e morri nos teus braços para renascer de novo em tons de azul. Hoje fiz-te poema... Hoje és o poeta dos meus sentidos em trovas de vento norte. Hoje fiz-te poema em gemidos de cagarras que esvoaçam em plena harmonia. Hoje fiz-te poema, desses que só rimam com as emoções e os sentidos. Hoje tu és poema e poeta de desejos, de tontos ânseios, de murmúrios de prazer... Hoje fiz-te poema...poeta vagabundo e ébrio de todo o meu sentir...


(Foto:minha - Julho de 2006)

2006-07-27

Na ânsia do ser...

Busco-me em cada azul infinito do céu e do mar. Busco-me em cada verde, dos mil verdes que me rodeiam. Busco-me na rosa efémera que desmaia em gritos de vida. Busco-me no som dos gemidos das cagarras. Busco-me, procuro-me, interrogo-me, dispo-me de conceitos e continuo nesta eterna busca do meu ser... Busco-me no teu corpo suado e conhecido, nos teus lábios de encantos perdidos. Busco-me nos teus sussuros de vento norte, nas tuas palavras inquietas de poesia... Busco-me e perco-me, encontro-te e perco-te porque nada é eterno, porque tudo é efémero... Busco-me na ânsia de alcançar o não sei quê que procuro. Talvez não procure nada ou encontre o nada no tudo. Que importa. Busco-me, perco-me... Busco-te e perco-te...


(Foto: minha - casa 21 de Junho de 2006)

2006-07-09

Em tons de Azul...


O meu melhor amigo perguntou-me um dia de que côr era o meu mundo, respondi-lhe sem hesitar: "É azul", lembro-me de ele se rir, sempre pensara que o meu mundo era preto ou amarelo. Preto da côr que adoro vestir, amarelo das flores que me dão... Mas não, o meu mundo é azul, azul côr de mar, azul prateado quando a lua o beija, azul de céu infinito e intemporal... O meu mundo é mesmo azul, até quando a minha alma se inquieta e ele se torna azul de mar revolto ou de céu em dia de trovoada... Será sempre azul, porque amo a tonalidade em todas as coisas que amo: O mar e o céu. Até os beijos dos meus filhos são em tons de azul...
Tudo na minha vida gira à volta desta côr... As emoções passadas, os beijos, os desejos, as inquietações ou as ilusões são azuis... Por isso deleito-me a olhar e mergulhar neste mar de mil e uma sensações, por isso antes de me deitar tenho de olhar a imensidão do céu e perder-me totalmente no seu luar, ou na sua escuridão...
Pobres daqueles que vivem a vida sem côr, tristes serão aqueles que nem nas inquietações vislumbram as tonalidades da vida... Quanto mais olho o mundo, mais me entrego de corpo e alma ao seu azul... Tudo na vida tem um sentido, tudo na vida se movimenta em inquietações ou deleites, por isso eu perco-me em tons de azul e renasço todos os dias em azul... Desse azul que nos rodeia ou que ousamos inventar...


(Foto: minha - Prainha do Norte - 10 de Junho)

2006-06-23

Quando o Sol se deita...

Olho o Sol a adormecer por detrás do Pico, mais um dia se acaba, mais uma noite começa. Nada morre, tudo se renova... os dias e as noites seguem o seu ritmo normal, sem compassos ou angústias de espera. Pergunto-me porque seremos nós tão complicados? Porque complicamos o simples... tudo se renova, uma flor morre, outra nasce... Tudo é simples na natureza, até os animais são simples, vivem ao sabor da corrente, das ondas que se agitam no mar ou na sua calmia. Só nós humanos complicamos tudo. Porque será que deixamos a vida nos fugir por entre os dedos, como pequenos grãos de areia? Porque será que exigimos sempre mais e mais? Depois, às vezes, encontramos as piores saídas, não aguentamos a sobrecarga da vida e escondemos a cabeça na areia ou pura e simplesmente pomos um fim, quando ainda tudo estava no início! A vida deve ser amada, vivida e respeitada, deveriamos ser como os animais, um passo de cada vez, um amanhecer depois de um anoitecer de cada vez... Amo a vida, mesmo com esta inquietude que me é peculiar. Amo o dia que nasce e a noite que me adormece nos seus braços. Amo olhar o Pico, deleito-me com os seus verdes em tons de prata, com o mar que dança rodopiando em seu redor. Amo e quem ama está vivo, só no amor se encontram as respostas, só nos amor se deixam as perguntas. Amo tudo e nada. Amo simplesmente. Amo cada dia que a vida me dá e apaixono-me por cada noite em que adormeço. Só no amor se encontra a paz e se desencadeiam as inquietações, só está vivo quem ama...


(Foto: minha - da minha janela - 30-04-2006)

2006-06-13

O Porquê dos Devaneios...

Para os que têm pachorra de ler os meus "posts" venho levantar um pouquinho mais do véu... Este blog chama-se "Devaneios" porque o que escrevo é isso mesmo, devaneios. É um blog que foge à má-língua, aos assuntos políticos... é um blog onde a nudez das emoções, sensações e pensamentos se misturam... Sou eu que me retrato, que me dispo de conceitos e preconceitos e deixo as teclas livres ao sabor da alma... Por opção minha não o divulgo muito, porque é um filho que quero quase só para mim e porque sei que é dificilmente entendido... As emoções não são fáceis de perceber. Como dizia Fernando Pessoa no seu heterónimo Álvaro de Campos "Depus a máscara e vi-me ao espelho. Era a criança de há quantos anos. Não tinha mudado nada... É essa a vantagem de saber tirar a máscara...". Sou uma alma inquieta, pobres são para mim as almas quietas, que não se interrogam, que se acomodam e vivem a vida cheios de falsas certezas, que riem tolamente para parecerem felizes, para mostrar aos outros que são felizes. Eu sou feliz e triste, depende do momento, mas recuso-me a acomodar-me, recuso-me a ser aquilo que querem que eu seja. Este blog é o meu cantinho, onde as emoções à flor da pele vagueiam em palavras, rodopiam em magia e transmitem a razão de estar viva. Deixo-vos um pouco de mim assim :
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração"
(Autopsicografia - Cancioneiro - Fernando Pessoa)
Entendam como quiserem. Eu vou até ao Martinho da Arcada beber um café com o meu amigo Pessoa...

(Foto: minha - Prainha do Norte - 10 de Junho)

Abraços da noite

O Sol adormece de mansinho nos braços da noite, embalado em cantigas de dormir pelo vento Norte... Desaparece suavemente, dando lugar à noite em brilho de lua cheia... Olho o fim do dia e o começo da noite, nada morre, tudo renasce. A vida sucede-se, repete-se ou deslumbra-nos por completo numa reviravolta total. Nada é igual, ninguém é igual, somos viajantes deste espaço que se repete sem nunca se repetir... Nós é que teimamos em repetir a vida em gestos ou acasos, porque é mais fácil não questionar, não mudar, continuar quietos no nosso cantinho sem ouvir os clamores da natureza em gritos d'alma... Que bom seria se tirassemos as máscaras, se nos assumissemos como seres inquietos e cheios de dúvidas, como seres que choram e riem pelos caminhos que trilhamos na vida.
É tão bom deixar a alma pairar na natureza, deixá-la adormecer com o Sol, embriagar-se com a noite e renascer com o dia novo... Eu deixo a minha vida andar ao acaso nas asas das cagarras, porque a liberdade do nosso sentir não pode estar preso, nem em gaiolas douradas...


(Foto: minha - Prainha do Norte - 10 de Junho)

2006-06-11

Elo mais forte 2

Notem a diferença do último post para agora. O Júlio Afonso está enorme, já tem um doce aninho de vida. Continua muito simpático e participativo, já diz mamã, papá e papa. Começou a dar os seus primeiros passos nesta caminhada que será a sua vida.
Adora estar sentado no chão a brincar com pedrinhas, é doido por um colinho e que brinquem com ele.
O Júlio Afonso é o nosso docinho, vai crescendo e cada vez nos vamos afeiçoando mais a ele.
É ele que lidera o grupo, ou seja giramos à volta das suas vontades e a única coisa que queremos todos é vê-lo sorrir. Coitado anda de colo em colo, às vezes penso que ele nos acha uns chatos, mas depois ele dá-nos um doce sorriso e nós ficamos todos derretidos e lá continuamos à volta dele, se calhar boicotando aquilo que ele quer fazer de livre vontade... Pergunto-me o que ele pensa deste grupo de doidos, já não faltará muito para ele nos dizer que não quer ou que quer, já não faltará muito para ele nos mandar "dar uma volta" quando se sentir pressionado. Até lá Júlio Afonso vais ter de aturar estes doidos, que apesar da idade, teimam em não crescer.


(Foto: minha - Prainha do Norte - aniversário André 10-06)

2006-06-10

Fogo de ser...

Estou de volta às teclas e á minha janela que dá para o mar e para o Pico... Voltei sempre nesta maldita incerteza de nunca saber se parto ou se estou... Olho da janela o mar calmo que desmaia suavemente sobre as rochas e revejo a "Lagoa do Fogo" imponente e esbelta, igualmente intacta ás mãos do homem...
Pronto regressei de São Miguel, estou de novo no Pico e de novo me assalta a dúvida se sou ou não pertença desta ilha. Chego à conclusão de que não sou de parte alguma, ou aliás sou de todos os lugares onde me perco em olhares de beleza infinita... Tenho em mim um bocadinho de toda a beleza que me rodeia e no fundo, bem no fundo do meu ser, não pertenço a lugar nenhum nem a ninguém... Serei sempre uma alma inquieta e perdida, buscando o azul de cada sítio que me rodeia, de cada lugar onde me encontro... O Pico é o meu porto de partida e de chegada, no entanto nem os seus abraços me prendem, eu vagueio em mares e marés, em verdes de vários tons, em fogos que ardendo não se extingem... Continuo a procurar-me neste fogo de ser algo que eu não sei o que é, talvez seja a imensidão da montanha do Pico, o infinito da "Lagoa do Fogo"... talvez seja só a procura dos lugares onde os meus olhos repousam em belezas infindas...


(Foto: minha - Lagoa do Fogo 8 de Junho)

2006-05-31

À procura...

Olho o azul do mar com São Jorge lá ao fundo no horizonte. Mergulho as minhas angústias neste mar imenso de histórias e segredos incontáveis... atiro-me de cabeça nas suas profundezas mágicas e, por breves momentos, esqueço-me de quem sou e imagino-me noutros lugares para além de mim...Neste mar imenso procuro as respostas para as perguntas que nunca formulei, mas que sei que se agitam dentro do meu ser...Perco-me nos poemas que não escrevi em gritos de gaivotas perdidas em busca de um novo luar. Quem me dera encontrar a calmia depois da tempestade. Mas não, todo o meu ser estremece como vento forte, nem me perdendo em tons de azul me consigo aquietar...Não sei o que procuro, nem sei se algum dia me encontrarei. Entretanto, vou-me perdendo no horizonte com São Jorge lá ao fundo...



Foto minha - Prainha do Norte - 30 de Abril.

2006-05-30

Bola Maria

É a rainha cá de casa, chama-se Bola porque em pequenina era bem gordinha e Maria, porque todas as mulheres são Marias... Tudo gira à volta dela e pensar o contrário é querer enganar a realidade... A Bola Maria é que decide, o tempo e o espaço pertencem-lhe, nós somos seus escravos... É de muito poucas conversas, mia para comer, para passear, para lhe darem colo, de resto passeia indiferente ao mundo dos homens, à nossa mesquinhez e coscuvilhisse, não se importa com a vida dos vizinhos, desde que os vizinhos também não se incomodem com os seus passeios por domínios alheios... Olho-a e vejo-a sempre muito pensativa, devem passar-lhe imensas coisas pela cabeça, coisas que ultrapassam o nosso mundinho humano... Olho-a e sei que ela sabe muito mais da vida do que eu, pelo menos vive-a plenamente e em paz de espírito, nunca a vi tomar antidepressivos ou calmantes. Nunca a vi preocupada com as chatisses quotidianas... vive um dia de cada vez! Quando o "dono" chega a casa é uma festa, o colo dele é o lugar que ela mais gosta, por isso usa-o sem pedir autorização ou se sentir culpada por estar a impedi-lo de fazer outras coisas. Quando olho a Bola Maria sinto que nós seres humanos, de tão complicados que somos, nos esquecemos de aproveitar a simplicidade de um dia de sol ou de um suave anoitecer... quando a olho sei que temos muito que aprender com os animais e às vezes bate-me a dúvida se não serão eles os racionais...



(Foto minha - 5 de Fevereiro)

2006-05-29

caixa amarela...

Fechei numa caixa amarela, todas as nossas recordações. Não a fechei à chave, deixei-a aberta para poder abri-la quando desejar... Atirei lá para dentro poemas antigos, frases ditas em sussuro e outras em murmúrios de olhares... Guardei o calor das nossas mãos e o percurso delas nos nossos corpos... guardei os nossos abraços, até aqueles que não chegámos a dar... Guardei-nos do mundo e do espaço, para que só nós possamos abrir a caixinha amarela... Assim quando a saudade apertar podemos em sinal de magia abri-la e deixar fluir em nós todos os momentos que vivemos.
Será que ao fechar ali as minhas recordações, vou deixar de as sentir vivas em mim? Será que vou esquecer cheiros, sabores, toques e magias?


(Foto minha - Prainha do Norte - 30 de Abril)

2006-05-24

Magia

Verde e azul completando-se em harmonia de tons e de velhas magias... Aqui encontro a paz para a minha alma, que de tão inquieta, não se aquieta... Aqui deixo-me enlear no azul e no verde e vagueio em pensamentos antigos e promessas novas... Encontro-me ou desencontro-me, porque neste rumo inquieto pelo o qual a minha vida é nortedada, nunca sei se estou ou não estou... Neste espaço perco-me para além do horizonte que avisto... Divago em mim e por mim e, busco encontrar as respostas para as perguntas que nunca formulei... Serei sempre efémera, procurarei sempre encontrar o sim ou não, de algo que nem eu própria sei o que é... Embriago-me no verde/azul e deixo que o pensamento solto se perca nesta magia de tons... Nunca me encontrarei, como nunca saberei se ando ou não perdida ou se sou tronco ardendo em lareiras de fogo disperso... Só sei que me encanta perder o olhar neste espaço que me aconchega e me acolhe...


(Foto minha - 30 de Abril - Prainha do Norte)

2006-05-20

Sonho de Alguém...

Reencontro-te ao fim de tanto tempo, sem que as palavras me levassem até ti. A vida levou-me num turbilhão de sensações, de angústias e de tempo perdido, que me afastaram desta magia que é escrever em ti. Aqui, deixo os sonhos cruzarem-se e brincarem com as realidades. Aqui afogo-me em tons de azul e de nuvens que brincam no céu... Às vezes penso que fazemos parte do sonho de alguém, que nos movemos em realidades fingidas que não podemos alterar, porque os sonhos não se alteram... Ás vezes penso que Deus brinca connosco, põe-nos obstáculos, dá-nos felicidades inteiras... Ás vezes penso que fazemos parte do sonho Dele e que Ele é parte do nosso sonho. Olho esta nuvem que se dilui em céu azul e sinto-me inteiramente embriagada pela doce magia do sentir, todo o meu ser procura a essência do saber ou do nada saber. Às vezes basta sentir, deixarmo-nos caminhar sem destino ao encontro do nada. A beleza da natureza está aí, não necessita de lógicas, basta olhá-la. Eu divago nesta nuvem, sem saber muito bem se sou só o sonho ou a realidade de alguém.

(Foto minha Prainha do Norte - 30 de Abril)